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Dicionário Toponímico de Montemor-o-Novo


(Vista Geral da cidade de Montemor-o-Novo – Fotografia de Miguel Angel Hervás – Global Digital Heritage)

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

A primeira planta conhecida de Montemor-o-Novo (1827).

“A ideia deste trabalho surgiu, há alguns anos, na Comissão Municipal de Toponímia. O objetivo era o de vir a pôr à disposição dos moradores de Montemor-o-Novo um instrumento explicativo sobre o significado e origem de cada um dos topónimos em vigor na cidade. Mais recentemente, acabou por se decidir pela vantagem de uma publicação digital, por se tornar mais económica e mais acessível pelos destinatários que uma edição em papel. São aqui incluídos, por ordem alfabética, quer os topónimos antigos, alguns com séculos de vida, quer os que estão em uso há menos tempo.
Durante séculos a toponímia nasceu espontaneamente da convivência quotidiana dos moradores com os lugares em que habitavam e pelos quais se deslocavam. Não tinha outro fim senão servir de referência a um sítio, rua ou largo que se pretendia mencionar. Por isso, essa toponímia tradicional se servia de acidentes do terreno, proximidade de igrejas e conventos, de pessoas que habitavam em certos lugares ou profissões neles mais praticadas. Não eram decididos pelas autoridades, mas, em vez disso, eram adotados devido ao seu uso continuado. Também não pretendiam homenagear ninguém.
Com o passar dos séculos, o reforço do estado e da sua administração fez surgir, a partir do séc. XIX, um outro tipo de topónimos, atribuídos pelos municípios, embora frequentemente a partir de propostas surgidas das populações, com o fim de homenagear personalidades ou de lembrar acontecimentos importantes de âmbito nacional ou local. Passaram, assim, a coexistir topónimos de ambas as origens e naturezas. Muitas vezes, também, houve a tendência para substituir nomes antigos e com uma longa história por outros mais recentes, por razões circunstanciais e passageiras, sem ter em conta que os topónimos tradicionais devem ser considerados como parte do património imaterial das comunidades que os criaram. Frequentemente essas alterações revelaram-se inúteis, pois os topónimos antigos continuaram a ser usados em detrimento dos novos, demonstrando o enraizamento dos primeiros nas comunidades e o erro de os ter pretendido apagar. Para tentar diminuir a perda dos nomes antigos, por vezes décadas mais tarde, acrescentaram-se estes junto dos mais recentes nas lápides toponímicas. Em Montemor, como noutras cidades e vilas, há exemplos de todos esses factos.
A presente recolha inclui, naturalmente, topónimos com uma longa tradição na cidade, que se têm mantido em vigor, outros mais recentes, atribuídos a arruamentos entretanto surgidos, e aqueles que foram alterados. Nestes casos, são referidos quer os topónimos antigos quer os que os substituíram. Incluem-se, por outro lado, alguns nomes de lugares que, embora não estejam vertidos na toponímia oficial, continuam a ser conhecidos e usados.”

Jorge Fonseca

Historiador

 

 

O castelo de Montemor-o-Novo em pormenor de planta de 1827.

 

 

DICIONÁRIO TOPONÍMICO DE MONTEMOR-O-NOVO

Recolha de dados e textos: Jorge Fonseca
Colaborações: Aires Gameiro, Augusto Mesquita, José Alexandre Laboreiro, Manuel Filipe Giga Novo, Manuel Filipe Vieira, Teresa Fonseca e Vítor Guita.

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Clique nas letras em cima ou utilize a ferramenta de localizar do seu browser para procurar –  atalho: ctrl+F (windows) ou cmd+f (mac) – e consultar a rua que pretende. O dicionário encontra-se organizado por ordem alfabética.

 

A

ABADINHO

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Topónimo referente a uma área dos arredores da antiga vila, a norte da mesma, hoje integrada na cidade. De origem árabe, como Abadim (abbâdîn), significando lugar de sufis, ascetas místicos do Islão (Dicionário de arabismos, 53). É mencionado em 1442 na escritura de venda de um olival. Em 1783 Jerónimo da Silva era proprietário da Quinta de Abadinho.

 

ABEL SALAZAR (Rua)

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Abel de Lima Salazar nasceu em Guimarães a 19.7.1889 e faleceu a 29.12.1946.
Formou-se em Medicina em 1915 e em 1918 foi nomeado professor catedrático de Histologia e Embriologia da Faculdade de Medicina do Porto. Investigador, publicou numerosos trabalhos na sua área.
Em 1935 foi afastado da universidade, juntamente com outros mestres que, como ele, se opunham à ditadura. Passou a dar cursos para pequenos grupos particulares e a publicar artigos de divulgação científica, filosofia e arte.
Foi também artista em pintura, escultura e desenho. Parte das suas obras expõem-se hoje na Casa-Museu Abel Salazar (São Mamede de Infesta), aberta em 1975. O Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto, fundado em 1975, presta-lhe homenagem.

 

ADEGA FUNDA (Travessa da)

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Topónimo alusivo à existência de alguma adega nessa pequena rua, que liga o Terreiro Novo à antiga Rua Direita.

 

 

ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA (Rua)

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Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira nasceu no Porto a 9.4.1942 e faleceu a 16.10.1982.
Frequentou o curso de Direito na Universidade de Coimbra, distinguindo-se, a partir daí, como guitarrista e cantor de baladas de Coimbra, nomeadamente de poemas de Manuel Alegre, de resistência à ditadura do Estado Novo.

 

 

ADRIANO VAZ VELHO (Dr.) (Rua)

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Nome atribuído à rua que separa a Escola Secundária da Escola Básica São João de Deus, o qual homenageia este diretor da Escola Industrial e Comercial de Montemor-o-Novo, desde a sua fundação, em 1960, até 1974. Adriano Vaz Velho, natural de Lisboa, foi depois professor de Matemática da Escola Secundária, que sucedeu à anterior. Antifascista, foi também divulgador do Esperanto, do radioamadorismo e de outras práticas inovadoras na sua época.

 

 

AGOSTINHO DA SILVA (Prof.) (Rua)

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George Agostinho da Silva nasceu no Porto a 13.2.1906 e faleceu a 3.4.1994.
Em 1928 concluiu a licenciatura em Filologia Clássica na Universidade do Porto, com 20 valores, e doutorou-se um ano depois.
Estudou em Paris e Madrid. Em 1943 foi preso pela polícia política como opositor à ditadura do Estado Novo. De 1947 a 1969 viveu no Brasil, onde ensinou em várias universidades e foi assessor do presidente Jânio Quadros.
Regressou ao país em 1969, com o início da abertura marcelista. Lecionou em universidades, dirigiu e colaborou com centros de estudos e deu entrevistas à televisão. Publicou diversas obras de filosofia e literatura.

 

 

ÁLAMOS OU ÁLEMOS (Terreiro dos)

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Antiga designação do atual Largo Alexandre Herculano. Aludia certamente à existência de álamos no local. Mencionado desde o séc. XVI ao séc. XIX (Toponímia e urbanismo, 23).

 

ALBINO CRÓ PIMENTA DE AGUIAR (Rua)

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Nasceu em Montemor-o-Novo a 5.7.1876. Membro da primeira Comissão Administrativa Municipal Republicana, constituída a 11.10.1910, à qual passou a presidir a partir de 17 desse mês. Foi deputado à Assembleia Constituinte, cargo que acumulou com a presidência do município, tendo-o sido também em legislaturas posteriores. Diretor e colaborador de várias revistas e jornais (O impacto da Grande Guerra, 117).

 

 

ALCÁCER (Rua de)

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Nome referido pelo menos desde o séc. XVIII. No entanto, pode ter origem medieval, por ter sido a saída da vila para sul, quando a travessia da mesma se fazia pelo caminho das Fontainhas, desde a Ponte de Alcácer até ao interior do Arrabalde. A atual passagem pelo Largo da Estação só foi aberta quando esta foi construída, no começo do séc. XX.

 

 

ALEXANDRE HERCULANO (Largo)

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Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo nasceu em Lisboa a 28.3.1810 e faleceu a 13.9.1877.
Como opositor do Miguelismo, exilou-se em Inglaterra e em França, regressando ao país em 1832 com o exército liberal, que desembarcou no Mindelo. Participou na defesa do Porto durante o cerco miguelista. Foi deputado às Cortes, precetor do futuro rei D. Pedro V e presidente da Câmara de Belém.
Dirigiu a revista O Panorama, publicou romances históricos, ensaios, poesia e teatro. A sua História de Portugal deu início à historiografia científica portuguesa. Compilou, por encargo da Academia das Ciências de Lisboa, os Portugaliae Monumenta Historica, coleção de documentos fundamentais da história de Portugal. Publicou também a História da Origem e do Estabelecimento da Inquisição em Portugal.
Antes desta designação este largo era chamado Terreiro dos Álamos.

 

 

ALEXANDRE JOSÉ BOTELHO (D.) (Rua)

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D. Alexandre José Botelho de Vasconcelos de Melo de Matos e Noronha nasceu em Lisboa a 30.6.1807 e faleceu a 25.7.1877. Tendo recebido educação militar e vivido em Lisboa, as alterações ocorridas com a Revolução de Setembro e a passagem do poder dos cartistas para a esquerda liberal, fizeram-no deixar a cidade e fixar-se em Montemor-o-Novo, onde a sua segunda mulher, Maria Augusta de Sousa, tinha propriedades.
Aqui dedicou-se à atividade política, tendo sido vereador, procurador à Junta Geral do Distrito e presidente da Câmara, em vários mandatos, assim como presidente da Comissão Promotora da Instrução Popular. Foi deputado às Cortes.
Entre os melhoramentos que promoveu e as causas a que se dedicou contaram-se a conclusão do cemitério de São Francisco, o plantio de árvores em vários locais da vila, a iluminação pública da mesma, a construção do ramal de caminho-de-ferro de Montemor, a colocação na vila de azulejos com o nome das ruas e largos, ainda existentes, a remodelação do antigo convento de São João de Deus, para o adaptar a serviços públicos e a construção da Escola Conde de Ferreira (D. Alexandre José Botelho, 190-214).

 

 

ALFREDO FIALHO FERRO (Rua)

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Foi poeta popular, que compunha de improviso, e amador teatral, com participação em vários grupos dramáticos da vila.

 

ALMOCREVES (Rua e Travessa dos)

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Este topónimo está ligado à existência, nos séculos XV e XVI, de número significativo de almocreves como seus moradores. Em 1443 as autoridades locais afirmavam que havia na vila «muitos almocreves» que continuamente levavam dela «muito trigo e azeites e meles e coiros e outras muitas cousas à cidade de Lisboa e a Setúbal e a outras partes». Em sentido inverso, esses profissionais traziam peixe do litoral, para abastecimento da sua população. No séc. XVI havia 70 almocreves, parte dos quais residiam, por certo, nesta rua (Toponímia e urbanismo, 25).

 

 

ÁLVARO CASTELÕES (Rua)

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Álvaro de Araújo Cardoso Pereira Forjaz, 3º. Visconde de Castelões, nasceu no Porto a 1.4.1859 e faleceu a 9.7.1953. Formado em Engenharia, destacou-se como especialista da construção de caminhos-de-ferro. Participou, com Serpa Pinto, no desbravamento da área geográfica entre Angola e Moçambique e comandou uma coluna militar nessa região, o que lhe valeu, em 1891, a distinção de Benemérito da Pátria. Foi Diretor dos Caminhos de Ferro do Minho e Douro e Diretor das Obras Públicas do Estado da Índia. Poeta e jornalista. Como político, pertenceu ao Partido Progressista, pelo qual foi deputado.

 

 

ALVES REDOL (Rua e Travessa)

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António Alves Redol nasceu em Vila Franca de Xira a 29.12.1911 e faleceu a 29.11.1969.
Escreveu romances, contos, teatro, ensaios e contos para crianças. A sua obra é um dos expoentes máximos da corrente neorrealista na literatura portuguesa, uma literatura de denúncia das injustiças sociais. Destacam-se, entre muitas outras obras, os romances Gaibéus (1939), Avieiros (1942) e Barranco de Cegos (1961).

 

 

ANGELINA VIDAL (Rua)

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Angelina Casimira do Carmo e Silva Vidal nasceu em Lisboa a 11.3.1853 e faleceu a 1.8.1917.
Foi professora, jornalista e escritora, defensora dos direitos das mulheres operárias. Propagandista republicana. Autora de obras de poesia, de ficção, ensaio e teatro, colaborou com inúmeros jornais em todo o país. Em Montemor-o-Novo colaborou na Democracia do Sul e participou em comícios republicanos, nomeadamente na inauguração da sede da Associação Operária, em dezembro de 1905.

 

 

ÂNGELO SILVEIRA (Irmão) (Rua)

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Ângelo da Silveira de Sousa nasceu em Santo Antão, Calheta (São Jorge, Açores) a 6.6.1921 e faleceu a 10.1.1986.
Ingressou na Ordem Hospitaleira de São João de Deus a 7.6.1940. Em 1962 já trabalhava no Hospital Infantil de São João de Deus, em Montemor-o-Novo, como vice-diretor e responsável pela reabilitação ortopédica e oficinas. Como «esmoleiro» percorreu o país a recolher donativos e a identificar crianças necessitadas de intervenção ortopédica, encaminhando-as para o hospital. Foi à Guiné-Bissau com a mesma incumbência, subsidiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. De 1977 a 1978 foi superior-diretor da Casa de Saúde de São João de Deus. Nos últimos anos trabalhou na Casa de Saúde de São Miguel, em Ponta Delgada (Padre Aires Gameiro).

 

 

ANGOLA (Rua de)

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Topónimo que homenageia este país da costa ocidental do continente africano. As relações de Portugal com os seus povos datam do séc. XV. Posteriormente os Portugueses dominaram vastas zonas do território, até o mesmo ser transformado em colónia. Em 1975, depois de uma longa luta de libertação, foi proclamada a independência de Angola.

 

 

ANTERO DE QUENTAL (Rua)

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Antero Tarquínio de Quental nasceu em Ponta Delgada a 18.4.1842 e faleceu a 11.9.1891.
Foi poeta, ensaísta, filósofo e político.
Autor de Odes Modernas (1865), Sonetos Completos (1886) e outras obras, foi também jornalista e um dos fundadores do Partido Socialista Português. Em 1870 criou, com Oliveira Martins, o jornal A República e, em 1872, passou a editar, com José Fontana, O Pensamento Social.

 

 

ANTÓNIO GEDEÃO (Rua)

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Nome literário de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho. Este nasceu em Lisboa a 24.11.1906 e faleceu a 19.2.1997.
Professor do Ensino Secundário e investigador. Foi membro da Academia das Ciências de Lisboa e autor de numerosos trabalhos de divulgação científica e de história da educação. Neste âmbito destaca-se o livro História do Ensino em Portugal (1986). A data do seu nascimento foi adotada, em Portugal, em 1996, como Dia Nacional da Cultura Científica.
Como poeta, sob o pseudónimo de António Gedeão, publicou, entre outras obras, Movimento Perpétuo (1956) e Máquina de Fogo (1961).

 

 

ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA (Dr.) (Largo)

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Nasceu no concelho de Penamacor a 27.7.1866 e faleceu a 31.10.1929.
Formou-se em Medicina, na Universidade de Coimbra, exercendo em São Tomé, França e Lisboa.
Membro da Maçonaria e deputado republicano. Depois da implantação da República, em 1910, foi ministro, chefe do governo e Presidente da República (1919 a 1923). Fundou o Partido Evolucionista, dissidência do Partido Republicano e o jornal República, que dirigiu.

 

 

ANTÓNIO MARIA CASQUINHA (Travessa)

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Trabalhador agrícola, cooperante da UCP (Unidade Coletiva de Produção) Salvador Joaquim do Pomar, do Escoural. No dia 27.9.1979, foi morto a tiro quando, em solidariedade com os trabalhadores da UCP Bento Gonçalves, assistia à entrega de uma das herdades da freguesia de São Cristóvão aos antigos proprietários. Tinha 17 anos.

 

 

ANTÓNIO SÉRGIO (Rua)

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António Sérgio de Sousa Júnior nasceu em Damão (Índia) a 3.9.1883 e faleceu a 12.2.1969.
Iniciou uma carreira de oficial da Marinha, que deixou em 1910. Viveu e estudou em vários países. Na década de 1920 integrou a direção da revista Seara Nova e em 1923 foi ministro da Educação. Com o fim da Primeira República exilou-se em Paris (1926 a 1933). De regresso a Portugal, foi um defensor do Cooperativismo e do Socialismo associativo. Fez parte do MUD (Movimento de Unidade Democrática). Em 1958 apoiou a candidatura de Humberto Delgado.
Foi pensador, pedagogo, sociólogo e historiador. Publicou, entre outras obras, Ensaios (1920-1954) e História de Portugal – Introdução Geográfica (1941).

 

 

AQUILINO RIBEIRO (Rua)

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Aquilino Gomes Ribeiro nasceu em Sernancelhe a 13.9.1885 e faleceu a 27.5.1963.
Estudou na Universidade de Paris e aí viveu até 1915, ano em que regressou a Portugal devido à Grande Guerra. Foi professor no Liceu Camões, em Lisboa e, em 1918, entrou para a Biblioteca Nacional. Membro da direção da revista Seara Nova. Depois da revolução de 28 de maio de 1926, que pôs fim à Primeira República, exilou-se e participou em várias revoltas contra a ditadura.
Publicou romances, contos, memórias, biografias e livros para crianças. Entre as suas obras-primas contam-se O Malhadinhas (1922), Terras do Demo (1919), Volfrâmio (1943), A Casa Grande de Romarigães (1957) e Quando os Lobos Uivam (1958).

 

ARCO (Travessa do)

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Rua do antigo Arrabalde, ligando o Terreiro do Corro à parte superior da Rua das Ricas. A designação deve-se ao arco que une, por cima da rua, os dois prédios em que a mesma tem início.

 

 

AVIS (Rua de)

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Começa a ser mencionada em documentos do séc. XVI. Antes era chamada caminho de Avis, uma das estradas que saíam da vila para norte. As construções nesta via devem ter-se intensificado com a abertura da Rua Nova. Em 1640 Miguel Frota de Carvalho, de Setúbal, entregou em aforamento vários terrenos «ao longo da rua de Avis donde se costuma dar terra por medições para se fazerem casas com seus quintais» (Toponímia e urbanismo, 26-27).

 

 

AZULEJOS (Travessa dos)

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Travessa que liga o Terreiro das Pinas à Rua do Pedrão. O nome é talvez originado numa oficina de azulejador, profissão assinalada na vila no séc. XVII (Toponímia e urbanismo, 27) ou na existência de algum registo de azulejo numa das casas.

B

BANDEIRA (Largo e Rua da)

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Topónimo mencionado a partir do séc. XVII. A designação Bandeira pode ter sido originada na colocação, nesse sítio elevado, de uma bandeira da saúde. Estas eram hasteadas nas entradas das povoações em ocasiões de peste, em simultâneo com a colocação de guardas da saúde, para aviso aos forasteiros de que a terra estava de prevenção contra o contágio vindo de fora (Toponímia e urbanismo, 27).

 

 

BANHA DE ANDRADE (Prof. Dr.) (Largo)

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Este topónimo, atribuído ao terreno fronteiro ao antigo mosteiro de São Domingos, homenageia António Alberto Banha de Andrade, nascido em Montemor-o-Novo em 1915 e falecido a 5.6.1982.
Foi doutor em Ciências Históricas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, docente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina, entre 1966 e 1974, e da Faculdade de Letras de Lisboa daí em diante. Presidente da direção do Grupo dos Amigos de Montemor-o-Novo desde 1975.
Foi autor de livros sobre história da cultura em Portugal, como Vernei e a Cultura do seu Tempo (1966), A Reforma Pombalina dos Estudos Secundários (1981) e O Naturalista José de Anchieta (1985), assim como de história da expansão portuguesa, de que são exemplos Mundos Novos do Mundo (1972) e História de um Fidalgo Quinhentista Português – Tristão da Cunha (1974).
Dedicou-se à história de Montemor-o-Novo, tendo iniciado a 12.1.1974 a publicação da série de artigos «Montemor tem história», no jornal O Montemorense, de grande importância para o renascimento dos estudos sobre a história de Montemor-o-Novo, quase inexistentes durante um século, desde os Estudos Históricos, Jurídicos e Económicos sobre o Município de Montemor-o-Novo (1873-1875), de José Hilário de Brito Correia e José Manuel Álvares.
Publicou também, no âmbito local, Montemor-o-Novo, Vila Regalenga (1975), Judeus em Montemor-o-Novo (1977) e São João de Deus na sua Terra Natal (1978) e outros estudos.

 

 

BARTOLOMEU DIAS (Rua)

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Nascido em data desconhecida, faleceu a 29.5.1500 durante a viagem de Pedro Álvares Cabral à Índia. Antes disso, em 1487-1488, foi o primeiro navegador europeu a contornar, pelo sul, o continente africano, dobrando o Cabo da Boa Esperança e navegando no Oceano Índico.

 

 

BEATAS (Rua das)

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Antigo nome da atual Rua Luís de Camões. Devia-se a ter existido nessa rua o Recolhimento de Nª. Sª. da Luz, também conhecido por Recolhimento das Beatas, comunidade religiosa sujeita à regra de Santa Clara. O respetivo edifício começou a ser construído com projeto de António Rodrigues Ferreira, em 1760, no Rossio, junto à igreja de Nª. Sª. da Luz, esta já do fim do séc. XVI. O Recolhimento funcionou durante pouco mais de cem anos, até 1878, quando, por renúncia da última regente, o Estado tomou posse do edifício. Três anos depois, em resultado de acordo entre o Estado, o Arcebispado e a Misericórdia, foi transferido para aí o Hospital de Santo André.

 

 

BENIGNO DE ALMEIDA FARIA (Rua)

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Benigno José Mira de Almeida Faria nasceu em Montemor-o-Novo a 6.5.1943.
Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, estudou também nos Estados Unidos e na Alemanha.
Em 1962, com 19 anos, publicou Rumor Branco, tendo-lhe sido atribuído o Prémio Revelação da Sociedade Portuguesa de Escritores. A Paixão e o conjunto dos três romances seguintes (Cortes, Lusitânia e Cavaleiro Andante), a que chamou Tetralogia Lusitana, narram o drama de uma família de proprietários numa vila imaginária do Alentejo, dos últimos tempos da ditadura até ao pós-25 de Abril.
Em 1982 publicou o conto Os Passeios do Sonhador Solitário, em 1990 o romance O Conquistador, em 1998 Vozes da Paixão e, em 1999, A Reviravolta.
A sua obra tem sido objeto de teses universitárias e de traduções. Além de outros prémios, recebeu, em 1998, a Medalha de Mérito Cultural, do Ministério da Cultura, em 2000, o Prémio Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora e, em 2010, o Prémio Universidade de Coimbra.
De 1994 a 1997 o escritor entregou grande parte da sua biblioteca pessoal à Biblioteca Municipal.
Em abril de 2001 a Câmara de Montemor-o-Novo homenageou-o com a Medalha de Mérito Municipal e a atribuição do seu nome à Biblioteca Municipal.

 

 

BENTO DE JESUS CARAÇA (Professor) (Largo e Beco)

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Nasceu em Vila Viçosa, a 18.4.1901 e faleceu a 25.6.1948.
Foi matemático, professor do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras.
Publicou, entre outras obras, A Cultura Integral do Indivíduo e Conceitos Fundamentais da Matemática. Fundou a Universidade Popular Portuguesa e a Biblioteca Cosmos, coleção de divulgação científica.
Foi resistente antifascista, tendo, por isso, sido preso pela PIDE e afastado da universidade.
O espaço onde hoje se localiza este largo foi designado por Chões até ao início do séc. XX, e nele se realizaram corridas de toiros. Em 1945 foi aí inaugurado o Mercado Agrícola e, em 1954, o novo Quartel dos Bombeiros Voluntários.

 

 

BENTO GONÇALVES (Rua)

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Bento António Gonçalves nasceu em Montalegre a 2.3.1902 e faleceu a 11.9.1942.
Em 1919 começou a trabalhar como torneiro mecânico no Arsenal da Marinha. Após intensa atividade sindicalista, em 1928 ingressou no Partido Comunista Português, do qual foi eleito secretário-geral em 1929, cargo que desempenhou até à morte.
Em 1936 foi enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal (Cabo Verde), onde morreu devido às condições aí existentes.
Foram publicados, da sua autoria, Palavras Necessárias: a Vida Proletária em Portugal de 1872 a 1927 (1969, 1ª. edição, clandestina), Escritos (1927-1930) (1976) e Inéditos e Testemunhos (2003).

 

 

BOA ESPERANÇA (Rua da)

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Topónimo que pode exprimir o desejo, aos moradores dessa área recém-urbanizada, de um bom sucesso na resolução do problema da habitação. Nesta rua tem sede a Cooperativa de Habitação Económica Alentejana.

 

 

BOCAGE (Rua de)

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Manuel Maria Barbosa du Bocage nasceu em Setúbal a 15.9.1765, filho de um jurista e da filha de um almirante francês vindo para Portugal com o objetivo de reorganizar a Marinha de Guerra. Faleceu a 21.12.1805.
Serviu no Exército de 1781 a 1783, quando entrou na Academia Real de Marinha. Em 1786 foi para a Índia como guarda-marinha. Esteve em Pangim e Damão, indo depois para Macau.
De regresso a Lisboa em 1790, aderiu à Academia de Belas Letras ou Nova Arcádia, com o pseudónimo de Elmano Sadino. Nela entrou em polémica literária com Curvo Semedo, natural de Montemor-o-Novo. Também trabalhou como tradutor. Entre 1791 e 1804 foram publicados os três volumes das suas Rimas.
Foi poeta lírico e satírico. O seu estilo e temática situam-no entre o Neoclassicismo e o Pré-Romantismo.

 

 

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS (Rua dos)

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Topónimo que homenageia a Associação dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Novo, fundada em 1930 e cuja sede e quartel foram inaugurados em 1954 na atual localização. Esta rua ladeia o respetivo edifício.

 

 

BRITO PAIS (Rua)

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António Jacinto da Silva Brito Pais nasceu em Colos (Odemira) a 15.7.1884 e faleceu a 22.2.1934.
Serviu como militar em África e, durante a Grande Guerra, no Corpo Expedicionário Português. Em França adquiriu formação como piloto aviador e combateu nessa qualidade. Em 1919 participou na defesa da República durante a revolta monárquica de Monsanto.
Em 1924 comandou o avião Pátria, que fez o raid aéreo Lisboa-Macau, um dos principais feitos da aviação portuguesa, com Sarmento de Beires e Manuel Gouveia.
Faleceu, já tenente-coronel, em 1934, num acidente aéreo devido à colisão de dois aparelhos. Recebeu, ao longo da sua carreira, várias condecorações.

 

C

CADEIA (Rua e Terreiro da)

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Antigo nome da atual Rua José Adelino dos Santos.
O primeiro topónimo referia-se à via que ligava os terreiros de São Lázaro e do Poço Tapado. O segundo era aplicado a este último e deveu-se à construção neste local, no séc. XVIII, dos Paços do Concelho, em substituição dos da vila intramuros, nesta época já de todo abandonada. A cadeia situava-se no piso inferior do edifício.

 

 

CALÇADA (Rua da)

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Nome que, desde o séc. XV, tinha a atual Rua da Condessa de Valenças. Provavelmente por ter sido das primeiras, ou a primeira na vila, a ser calçada, melhoramento necessário devido ao seu forte declive. Ligava a vila intramuros ao Arrabalde. A sua parte inferior, entre a Rua de D. Vasco e a atual Rua da Condessa de Valenças, ainda mantém a antiga designação.

 

CALDEIRÃO (Rua do)

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É assim chamada esta pequena via no lançamento da Décima de 1828, só com dois fogos. No séc. XVIII era designada por «rua que vem do terreiro de São João de Deus para o Hospital», com três fogos, pelo que ainda não devia ter esse nome (Toponímia e urbanismo, 30). Em 1827 era designada por Rua da Caldeira (Planta da vila de Montemor-o-Novo).

 

 

CALOUSTE GULBENKIAN (Largo)

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Calouste Sarkis Gulbenkian nasceu em Scutari (hoje Üsküdar), Constantinopla (atual Istambul), no antigo Império Otomano, a 29.3.1869 e faleceu em Lisboa a 20.7.1955. De nação arménia, estudou no seu país, em França e Inglaterra. Tornou-se industrial petrolífero, colecionador de arte e filantropo.
Durante a Segunda Guerra Mundial viveu em Lisboa, onde faleceu. De acordo com o seu legado testamentário, foi criada a Fundação Calouste Gulbenkian, com sede em Lisboa, cujas instalações e museu foram inauguradas em 1969. O museu acolheu a sua coleção de arte, até aí dispersa por vários países.
Em Montemor-o-Novo a Fundação Gulbenkian apoiou a construção do Hospital Infantil de São João de Deus e a reconstrução do Convento de São Domingos, além de ter montado uma Biblioteca Fixa e Itinerante. Em homenagem a este mecenas e filantropo foi inaugurado um monumento em 1966 e dado o seu nome ao largo em que o mesmo foi erguido.

 

 

CALVÁRIO (Largo, Rua e Travessa do)

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Largo do Calvário é a antiga designação da atual Praça da República. Até ao século XIX fez parte do Rossio, por vezes com a especificação de Rossio do Calvário (Toponímia e urbanismo, 31). Com a construção das duas sociedades recreativas, Carlista e Pedrista, e do Jardim Público, viu reduzidas as suas dimensões, passando a ocupar apenas o espaço vago entre este último, as referidas sociedades e a antiga Frontaria do Rossio, do lado Sul. O seu nome provém da proximidade da Igreja do Calvário, que passou a ser sede da paróquia de Nª. Sª. da Vila, no séc. XVIII, com o desaparecimento da igreja original, na vila intramuros.
A rua formou-se entre o Jardim Público e a antiga Frontaria do Rossio, do lado norte.
A travessa é paralela à igreja, na direção nascente-poente.

 

 

CÂNDIDO DE OLIVEIRA (Rua)

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Cândido Fernandes Plácido de Oliveira nasceu em Fronteira a 24.9.1896 e faleceu a 23.6.1958.
Foi jogador e treinador de futebol, além de jornalista desportivo. Em 1945 fundou, com outros jornalistas, o periódico A Bola. Publicou vários livros sobre desporto.
Pela sua ação contra a ditadura do Estado Novo foi deportado para o Campo de Concentração do Tarrafal (Cabo Verde), entre 1942 e 1944. Sobre o mesmo escreveu o livro Tarrafal, o Pântano da Morte (1974).

 

CÂNDIDO DOS REIS (Praça)

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Carlos Cândido dos Reis nasceu em Lisboa a 16.1.1852 e faleceu a 4.10.1910. É também conhecido como Almirante Reis.
Iniciou a carreira na Marinha, como voluntário, aos 17 anos, tendo sido sucessivamente promovido até ao posto de vice-almirante e agraciado com várias condecorações pelos seus feitos.
Republicano desde muito novo e membro da Carbonária. Tendo sido o organizador militar da revolução de 5 de Outubro de 1910, depois do assassinato de Miguel Bombarda e acreditando que a revolução tinha fracassado, foi atingido por grande depressão, suicidando-se no dia 4, véspera da implantação da República.
Este topónimo foi atribuído pela Comissão Administrativa Municipal Republicana, a 11 de outubro de 1910 à até aí chamada Praça Velha, como forma de homenagear a República. O local foi também chamado, no século XIX, Praça do Peixe (Planta da vila de Montemor-o-Novo).

 

 

CARLOS DE OLIVEIRA (Rua)

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Carlos Alberto Serra de Oliveira nasceu em Belém (Brasil) a 10.8.1921 e faleceu a 1.7.1981.
Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Coimbra, em 1947. Cronista, crítico, tradutor, poeta e romancista integrado no movimento neorrealista, colaborou com as revistas Altitude, Seara Nova e Vértice, tendo dirigido esta última.
Entre os seus livros de poesia incluem-se Colheita Perdida (1948) e Cantata (1960). Dos seus romances destacam-se Casa na Duna (1943), Pequenos Burgueses (1948), Uma Abelha na Chuva (1953) e Finisterra (1978).

 

 

CARVOEIRO ou dos CARVOEIROS (Rua do)

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Nome por que era conhecida, na Idade Média, aquela que, a partir da segunda metade do séc. XVI foi chamada Rua Direita. Devia-se, sem dúvida, ao facto de nela morar, nessa época, algum conhecido carvoeiro (Toponímia e urbanismo, 32).

 

 

CAVALOS (Rua dos)

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A rua já tinha este nome em 1605. Em 1699 moravam nela três almocreves, num conjunto de apenas nove fogos. Talvez este topónimo se relacionasse com a existência de estrebarias pertencentes a estes profissionais de transportes e comércio (Toponímia e urbanismo, 32).

 

 

CEMITÉRIO (Rua do)

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Antiga designação da atual Rua Capitão Pires da Cruz. O nome devia-se a existir nesse local o cemitério do Hospital do Espírito Santo e Santo André.

 

CHAMORRO (Rua do)

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Nome com origem no apelido de algum morador ou proprietário de casas nessa rua. Em 1668 vivia no Rossio o mercador Francisco Dias Chamorro (Toponímia e urbanismo, 34).

 

 

CHÕES ou CHÕES DA RUA NOVA

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Terrenos localizados a norte da Rua Nova, não urbanizados até ao séc. XX. Neles se realizaram touradas, numa praça de touros desmontável, inaugurada a 17.9.1902, para substituir a Praça de Touros do Rossio, que estava em obras. Hoje são ocupados pelo Largo Prof. Bento de Jesus Caraça, pelo Mercado Agrícola, Quartel dos Bombeiros e Correios.

 

 

CIDADE DO FUNDÃO (Rua)

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Nome atribuído devido à elevação a cidade desta antiga vila, a 11.3.1988, simultaneamente com Montemor-o-Novo, Marinha Grande e Vila Real de Santo António. Posteriormente, a 11.3.1993, as quatro novas cidades celebraram um acordo de geminação.

 

 

5 DE OUTUBRO (Rua)

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Topónimo atribuído, a 11 de outubro de 1910, pela Comissão Administrativa Municipal Republicana à antiga Rua Nova. O objetivo foi homenagear o regime acabado de implantar.

 

 

CIPRIANO BARRETO (Rua)

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Cipriano de Oliveira Barreto foi Administrador do Concelho em 1914-1915. Era solicitador. Foi secretário do Asilo Montemorense de Infância Desvalida de 1911 a 1917. Em 1932 era dirigente da Banda Filarmónica do Círculo Montemorense, «Pedrista» (A Banda Filarmónica).

 

 

COMANDANTE FRAGOSO (Rua)

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Luís Henrique Fragoso Amado foi trabalhador dos caminhos-de-ferro, prematuramente aposentado por razões políticas. Era proprietário do Café Fragoso, na Rua Nova, local de convívio de republicanos e democratas. Faleceu em agosto de 1971.
Foi um dos principais promotores da Associação dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Novo e comandante durante quatro décadas, desde a sua fundação em 1930 até ao fim dos anos 60.
A 10.2.1963 foi homenageado, tendo sido nomeado pelo município Cidadão Honorário, sendo-lhe entregue a Medalha de Ouro pela Liga dos Bombeiros Portugueses e a Ordem da Benemerência, atribuída pelo Presidente da República.
Fez parte da Companhia Edificadora do Teatro Curvo Semedo.

 

 

CONCEIÇÃO (Travessa da)

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Via que liga o atual Largo dos Paços do Concelho à Rua das Piçarras. O seu nome deve ter origem na Fonte de Nª. Sª. da Conceição, ou Poço Tapado, existente à sua frente, no lado norte do largo. A mesma passou a ter essa designação por nela ter sido colocada a lápide alusiva à escolha, por D. João IV, de Nª. Sª. da Conceição como padroeira de Portugal (Toponímia e urbanismo, 34).

 

CONDESSA DE VALENÇAS (Rua da)

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Nome dado pelo município, em 1925, à antiga Rua da Calçada, para homenagear Guilhermina Rosa Marques dos Anjos, 1ª. Condessa de Valenças. O título de Conde de Valenças foi atribuído, em 1887, pelo rei D. Luís ao seu marido Luís Leite Pereira Jardim. Este foi lente da Universidade, deputado, par do reino, diplomata, administrador de empresas, autor de trabalhos científicos e dono de propriedades no Ciborro que vieram a constituir o condado de Valenças (Cultura da vinha, 89-90).
A condessa cedeu, a pedido do Asilo Montemorense de Infância Desvalida, o seu palacete de Montemor-o-Novo (junto ao castelo) para nele ser instalado o Asilo Montemorense de Mendicidade, que até aí funcionava no edifício do antigo Convento da Saudação, junto com o de Infância Desvalida. O Asilo de Mendicidade iniciou o funcionamento nas novas instalações em janeiro de 1919, poucos meses antes do falecimento da benfeitora (Para a história da Assistência, pp. 27-28).

 

 

CONTINHAS (Rua das)

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Rua que ligava o Terreiro do Corro à Praça Velha. Em 1749 o sangrador Manuel Ferreira da Costa comprou umas casas «na rua das Continhas desta vila» (Toponímia e urbanismo, 34-35).

 

 

CORRO (Terreiro do)

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Antigo nome do atual Largo Dr. Miguel Bombarda.
Nos séculos XVI e XVII era chamado Corro dos Touros, por aí se realizarem corridas de touros. Em 1624 Duarte Dias tinha «umas casas (…) no arrabalde desta vila no terreiro do Corro onde correm os touros». Em 1718 a câmara mandou reedificar as «casas das varandas da câmara sitas no terreiro do Corro desta vila, por estarem demolidas, fazendo três janelas rasgadas de sacada para delas o senado da câmara poder ver os touros (…) e mais festas que no dito terreiro se fizerem».
Em 1858 a Câmara determinou a realização, no Corro, do mercado de fruta e hortaliça, tendo para isso mandado terraplanar e arborizar o recinto (Toponímia e urbanismo, 35).

 

 

CORRO ÀS PORTAS DO SOL (Rua do)

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Rua que ligava o Terreiro do Corro ao Terreiro das Portas do Sol.
A 22.6.1915 o seu nome foi mudado para Rua 1º. de Maio.

 

 

COURELA DA PEDREIRA (Rua)

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Nome da propriedade, urbanizada a partir dos anos 80 do séc. XX, atualmente ocupada por uma extensa área de habitação.

 

 

CRUZ DA CONCEIÇÃO (Travessa da)

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Rua ou caminho que fazia a ligação da Rua da Guarda com o convento de Nª. Sª. da Conceição e com o cruzeiro que o antecedia, na base da respetiva colina, através de terrenos hoje urbanizados (Toponímia e urbanismo, 36).

 

 

CRUZ VELHA (Rua da)

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Topónimo sugerido pela quinta, do mesmo nome, existente nas proximidades, a qual é assim chamada devido ao cruzeiro de pedra existente no local. Em 1783 a Horta da Cruz Velha pertencia a António Pereira Galvão.

 

 

CURVO SEMEDO (Rua)

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Nome atribuído à antiga Rua da Guarda.
Belchior Manuel Curvo Semedo Torres de Sequeira nasceu em Montemor-o-Novo a 15.3.1766 e faleceu a 28.12.1838.
Formado na Real Academia de Marinha e na Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, chegou ao posto de tenente do real Corpo de Engenheiros, tendo trabalhado como engenheiro militar em Portalegre, procedido ao levantamento e desenhado fortificações de Cascais e participado na elaboração da Carta Topográfica do Reino. Depois de abandonar a carreira militar, por razões de saúde, foi nomeado escrivão dos Portos Secos da Alfândega Grande de Lisboa. Era cavaleiro da Ordem de Cristo e fidalgo da casa real (Curvo Semedo, Primeiro-Tenente, 233-243).
Foi poeta, membro da Nova Arcádia, tertúlia literária fundada em 1790, onde teve o pseudónimo de Belmiro Transtagano. Reuniu a sua obra nas Composições Poéticas, em quatro volumes (1803-1835), e traduziu fábulas do poeta francês La Fontaine, na obra Tradução Livre das Melhores Fábulas de La Fontaine (1820).
Em 1925 foram iniciadas as obras de construção do Teatro Curvo Semedo, em sua homenagem, o qual deveria substituir o antigo Teatro Montemorense, na Rua Nova, destruído por um incêndio. O projeto foi da autoria de Raul Lino. No entanto, só a 27.1.1960 as obras foram concluídas e a sala de espetáculos inaugurada.

 

 

D

DAMÃO (Rua de)

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Nome de um dos territórios do Estado Português da Índia anexados pela União Indiana a 18 e 19 de dezembro de 1961. O acontecimento, que pôs fim a 450 anos de domínio português, desencadeou uma onda patriótica no país, em consequência da qual os respetivos nomes foram dados a ruas e praças de muitas localidades.

 

 

DANIEL LOPES BORGES (Rua)

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Comerciante montemorense que, em 1939, foi benemérito da Associação dos Bombeiros Voluntários, pela oferta de um terreno para a construção da sua sede e quartel, e que, por esse facto, foi nomeado sócio honorário da agremiação (Associação dos Bombeiros Voluntários, 53-56). Membro dos corpos gerentes da Sociedade Carlista e seu benemérito (Sociedade Carlista, 78 e 105).

 

 

DEFENSORES DA LIBERDADE (Rua)

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Topónimo que homenageia todos os montemorenses que, ao longo dos tempos, se empenharam na defesa da liberdade do ser humano.

 

 

18 DE OUTUBRO (Travessa)

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Esta data refere-se ao dia da entrega das primeiras casas da Cooperativa de Habitação Económica Alentejana, a 18 de outubro de 1980.

 

 

DIOGO CÃO (Rua)

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Nome de um navegador português, nascido em data incerta e falecido cerca de 1486.
Entre 1482 e 1486 realizou, ao serviço de D. João II, duas expedições marítimas de reconhecimento da costa africana, no decurso das quais atingiu a foz do rio Zaire e estabeleceu as primeiras relações com o reino do Congo.

 

DIREITA (Rua)

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Nome por que foi conhecida, até à implantação da República, a atual Rua Dr. Teófilo Braga.
A sua designação deveu-se a que era a via que ligava diretamente as partes alta e baixa da vila, desde a Praça Velha ao Terreiro do Poço Tapado. Provavelmente devido à sua inclinação, foi uma das primeiras ruas a serem calçadas, em 1422. Tudo leva a crer que se prolongava até à Praça Velha, antes de, no séc. XVII, ser aberto o terreiro de São João de Deus. Antes deste nome a rua foi chamada Rua do Carvoeiro, Rua dos Carvoeiros e Rua Direita dos Carvoeiros (1576). Nela foi edificada no início do séc. XVI a sede da Misericórdia, com a respetiva igreja (Toponímia e urbanismo, 37).

 

 

DIU (Praceta de)

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Nome de um dos territórios do Estado Português da Índia anexados pela União Indiana a 18 e 19 de dezembro de 1961. O acontecimento pôs termo a mais de 450 anos de domínio português na Índia e levantou no país uma onda patriótica que levou à adoção dos nomes desses territórios em muitas localidades.

 

 

DOM FRANCISCO DE CASTRO (Praceta)

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Topónimo sugerido pela proximidade da Quinta de D. Francisco, que no séc. XVI pertenceu ao fidalgo D. Francisco de Castro, que mandou construir a casa-torre senhorial que nela se ergue e onde ele e sua mulher D. Branca da Cunha viveram.

 

 

DOM JOÃO DE CASTRO (Rua)

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D. João de Castro nasceu em Lisboa a 27.2.1500 e faleceu a 6.6.1548.
Foi aluno do matemático Pedro Nunes. Serviu nas praças do Norte de África e, em 1535, auxiliou o infante D. Luís na expedição do imperador Carlos V a Túnis. Entre 1538 e 1540 participou em combates na Índia e navegou no Mar Roxo, de que elaborou o respetivo roteiro.
Em 1545 foi nomeado pelo rei vice-rei da Índia. Notabilizou-se, entre outros feitos, pela recuperação de Diu, em 1546.

 

 

DOM NUNO ÁLVARES PEREIRA (Rua)

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Nuno Álvares Pereira nasceu a 24.6.1360 e faleceu a 1.4.1431.
Filho de D. Álvaro Gonçalves Pereira, Prior da Ordem Militar do Hospital. Foi o grande chefe militar da guerra travada com Castela durante a crise sucessória ocorrida à morte do rei D. Fernando, entre 1383 e 1385. O seu apoio ao Mestre de Avis, futuro D. João I, foi em boa parte responsável pela manutenção da independência de Portugal.
Foi o 2º. Condestável do reino, Conde de Arraiolos, Barcelos e Ourém. Chegou a ser senhor de Montemor-o-Novo, por doação de D. João I, em 1385, que lhe deu também a alcaidaria da vila com os respetivos direitos. Dois anos depois, porém, a doação foi anulada pelo rei, por troca com outras localidades. Mas a alcaidaria manteve-se nas suas mãos (D. João, marquês de Montemor-o-Novo, 25).

 

 

DOM SANCHO I (Rua)

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Foi o segundo rei de Portugal, reinando entre 1185 e 1211. Dedicou-se sobretudo a consolidar as conquistas do seu pai, D. Afonso Henriques, povoando as terras do sul do reino, grande parte das quais entregou à administração das ordens militares.
Em 1203 concedeu a Montemor o primeiro foral, significando isso que a povoação, até aí pertencente a Évora, passou a ser vila, com território e autoridades próprias.
A rua a que este topónimo se refere foi formada com a construção, no séc. XX, de um conjunto de prédios de habitação no lado sul do Rossio. O lado sul da rua é a antiga Frontaria do Rossio, de construções mais antigas.

 

 

DOM VASCO (Rua de)

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O nome tem origem no facto de, no séc. XVI, nela ter morado D. Vasco Mascarenhas, irmão do alcaide-mor de Montemor-o-Novo D. Fernão Martins Mascarenhas e pai de D. João Mascarenhas, que sucedeu a este último no cargo, por ele não ter filhos. Morreu em 1567 e foi sepultado no convento de São Francisco. Dois documentos datados de janeiro de 1573 referem-se a casas existentes «no arrabalde desta vila na rua em que morou Dom Vasco Mascarenhas que Deus dê glória» (Toponímia e urbanismo, 37-38).

 

 

E

EÇA DE QUEIROZ (Rua)

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José Maria de Eça de Queiroz nasceu na Póvoa de Varzim a 25.11.1845 e faleceu a 16.8.1900.
Terminada a licenciatura em Direito na Universidade de Coimbra em 1866, exerceu em Lisboa a advocacia e o jornalismo. Em 1870 foi nomeado Administrador do Concelho de Leiria. Em 1873 ingressou no corpo diplomático, como cônsul de Portugal em Havana (Cuba), carreira que prosseguiu em Inglaterra, entre 1874 e 1878, como cônsul em Newcastle e Bristol. Em 1888 foi para Paris com o mesmo cargo.
Foi um dos maiores escritores portugueses. Entre os seus livros, contam-se O Crime do Padre Amaro (1875), O Primo Basílio (1878), Os Maias (1888), A Cidade e as Serras (1901) e A Capital (1925).

 

 

EGAS MONIZ (Professor) (Rua)

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António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz nasceu em Avanca (Estarreja) a 29.11.1874 e faleceu a 13.12.1955.
Formado em Medicina na Universidade de Coimbra, onde foi lente, em 1911 passou a ocupar a cátedra de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Contribuiu para o desenvolvimento da Medicina, no âmbito da angiografia cerebral e da leucotomia pré-frontal. Publicou diversos trabalhos científicos e também literários. Teve atividade política durante a Primeira República.
Em 1949 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Medicina.

 

 

ESCADINHAS (Rua das)

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No século XIX chamou-se Rua das Escadinhas das Valentas, provavelmente por existirem aí escadas que davam acesso à casa de moradoras com o apelido Valente.

 

 

ENCOSTA DO CASTELO (Rua da)

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Rua que atravessa a encosta da antiga vila intramuros, paralelamente à muralha da mesma. A designação «castelo», dada hoje à antiga vila, tem origem no abandono desta última, nos últimos séculos, pela população, pois, antes disso, o «castelo» era só o Paço dos Alcaides, residência dos governadores militares.

 

 

ERNESTO PINTO ÂNGELO (Rua)

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Ernesto José Ferreira de Mesquita Pinto Ângelo nasceu no concelho da Lousã e faleceu a 6.12.1983.
Eleito Presidente da Câmara de Montemor-o-Novo em 1976, foi pioneiro da administração municipal democrática saída da Revolução de 25 de Abril, tendo-se destacado no impulso à concretização do Plano de Urbanização da então vila de Montemor, nos trabalhos preliminares para a reorganização dos serviços e no lançamento das bases da ação sociocultural da autarquia. Em 1982 foi eleito Presidente da Assembleia Municipal, durante cujo exercício faleceu. Tinha 62 anos (Boletim Municipal, nº. 52).

 

 

ESCOLA NOVA (Largo da)

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Denominação dada ao largo que se formou, na extremidade da rua do Sacramento, quando foi construída a Escola Conde de Ferreira. Esta foi edificada pelo município, na segunda metade do séc. XIX, com o legado deixado por aquele titular para a construção de 120 escolas primárias em todo o país (Toponímia e urbanismo, 38; Pedagogia e ilustração, 152).

 

ESPÍRITO SANTO (Rua, Terreiro e Travessa do)

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Este topónimo provém do Hospital do Espírito Santo que existiu desde a Idade Média no largo atualmente chamado Joaquim Pedro de Matos. No séc. XV o mesmo fundiu-se com a Albergaria de Santo André, da qual há referências desde o séc. XIV, passando a ser uma única instituição assistencial. O seu edifício foi reconstruído no reinado de D. João III e funcionou aí o hospital até 1882, ano em que foi transferido para o antigo Recolhimento de Nª. Sª. da Luz, já extinto (Toponímia e urbanismo, 38-39; Memórias de Salvador da Costa, 36).

 

 

ESTAÇÃO (Largo e Rua da)

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Esta designação deveu-se a ter sido inaugurada no largo, a 2.9.1909, a estação do ramal de caminho-de-ferro de Montemor-o-Novo à Torre da Gadanha. Este foi financiado através de um empréstimo de 170 contos contraído pela Câmara Municipal junto da Caixa Geral de Depósitos. Era presidente da edilidade António Justino da Costa Praça. As obras iniciaram-se em setembro de 1907.
A 11.10.1910 a Comissão Administrativa Municipal Republicana decidiu atribuir-lhe o nome de Largo Machado Santos.

 

 

ESTOPAS (Travessa das)

Rua do antigo Arrabalde, cujo nome é mencionado em 1699, mas é certamente muito anterior. Referia-se, por certo, ao fabrico de tecidos de estopa.

 

 

F

FARIZES (Rua das)

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Esta rua é, pela sua localização junto à encosta da antiga vila, das mais antigas do Arrabalde. Ainda hoje nela se mostra um portal medieval, numa das suas casas. A origem do topónimo pode ser antroponímica, de um apelido de família.

 

 

FELICIANO RABAÇA (Rua)

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Feliciano Rabaça do Carmo, folclorista, fundou em 1958 o Rancho Folclórico «Fazendeiros de Montemor-o-Novo», que teve a primeira apresentação no Círculo Montemorense, «Pedrista», em janeiro de 1959. A ele associado, criou também o Rancho Infantil «Ceifeiras e ganhões» (Tributo).

 

 

FERNANDO NAMORA (Rua)

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Fernando Gonçalves Namora nasceu em Condeixa-a-Nova a 15.4.1919 e faleceu a 31.1.1989. Médico formado em Coimbra, exerceu a sua atividade na Beira Baixa, Alentejo e Lisboa (Instituto Português de Oncologia).
Foi romancista e poeta, contando-se entre as suas obras Fogo na Noite Escura (1943), Casa da Malta (1945), Retalhos da Vida de um Médico (1949 e 1963), A Noite e a Madrugada (1950), O Trigo e o Joio (1954) e Domingo à Tarde (1961). A sua produção poética foi reunida em As Frias Madrugadas (1959). Escreveu também crónicas, memórias e impressões de viagem. Alguns dos seus livros foram adaptados ao cinema.
Em 1990 abriu em Condeixa-a-Nova uma Casa-Museu no prédio em que nasceu.

 

 

FERNANDO PESSOA (Rua)

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Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa a 13.6.1888 e faleceu a 30.11.1935.
Passou a infância e a adolescência em Durban (África do Sul), onde o padrasto era cônsul. Aí estudou. Regressou em 1905 e empregou-se, toda a vida, como tradutor de correspondência comercial, em várias firmas de Lisboa.
Em 1915 participou na revista literária Orpheu, que lançou o movimento modernista em Portugal. Em 1924 editou a revista Athena.
Um dos maiores poetas portugueses, manifestou o seu talento sob vários heterónimos, autores imaginários com personalidade e obra própria: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Bernardo Soares. Em 1934 publicou Mensagem, com o seu verdadeiro nome. Escreveu também ensaios e correspondência.

 

 

FERNÃO MARTINS MASCARENHAS (Rua)

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Em 1463 D. Afonso V doou-lhe a terra de Mascarenhas, em Trás-os-Montes. Em 1475 foi nomeado coudel de Alcácer do Sal e, no ano seguinte, estava já ao serviço do príncipe D. João, como capitão dos Ginetes. Nesta condição participou na batalha de Toro. Depois da morte do rei, D. João II nomeou-o para o seu conselho e para capitão-mor dos Ginetes. Os ginetes formavam uma guarda a cavalo, caracterizada pela sua grande mobilidade.
Foi no rescaldo da conspiração contra D. João II, dos que se opunham à sua política centralizadora e na qual esteve implicado o marquês de Montemor D. João, que Fernão Martins teve a oportunidade de ocupar cargos mais elevados. Depois da destituição do marquês como donatário da vila e seu alcaide-mor, em 1483, Montemor-o-Novo passou a ficar na dependência direta da coroa. E os monarcas passaram a nomear alcaides-mores que os representavam localmente.
Atendendo à fidelidade demonstrada por Fernão Martins durante o processo contra os conspiradores, foi compensado com a alcaidaria-mor de Montemor-o-Novo. Também lhe foi dado o senhorio da vila de Lavre. Faleceu a 13.11.1501. A alcaidaria da vila ficaria, daí em diante, sempre nos Mascarenhas, seus descendentes, até ao séc. XVIII (O alcaide de Montemor-o-Novo, 29-33).

 

 

FERRARIAS (Travessa das)

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Pequeno trecho de rua, confluente com a da Calçada e a dos Almocreves, cujo nome tem origem na existência de oficinas de ferreiro.

 

 

FERREIRA DE CASTRO (Rua)

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José Maria Ferreira de Castro nasceu em Ossela (Oliveira de Azeméis) a 24.5.1898 e faleceu a 29.6.1974.
Na adolescência emigrou para o Brasil, tendo trabalhado na floresta amazónica. De regresso a Portugal, foi jornalista de O Século, colaborador de revistas e fundador de O Diabo. Em 1930 publicou A Selva, resultado da sua experiência no Brasil, que o projetou internacionalmente. A sua obra caracterizou-se pela intervenção social, aproximando-se do Neorrealismo.
Entre os seus romances têm particular relevo, além de A Selva, Emigrantes (1928), Eternidade (1933), Terra Fria (1934), A Lã e a Neve (1948) e A Missão (1954).
Publicou também livros de viagens, como Pequenos Mundos e Velhas Civilizações (1937) e Maravilhas Artísticas do Mundo (1959 e 1963).

 

 

FIALHO DE ALMEIDA (Rua)

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José Valentim Fialho de Almeida nasceu em Vila de Frades (Vidigueira) a 7.5.1857 e faleceu a 4.3.1911.
Formado em Medicina, dedicou-se à agricultura, ao jornalismo e à literatura.
Publicou Os Gatos (1889-1894), de crítica social, e também A Cidade do Vício (1882), Lisboa Galante (1890) e O País das Uvas (1893).

 

 

FLORBELA ESPANCA (Rua)

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Florbela d’Alma da Conceição Espanca nasceu em Vila Viçosa a 8.12.1894 e faleceu a 8.12.1930.
Frequentou o Liceu de Évora e a Faculdade de Direito de Lisboa. Foi jornalista, tradutora e deu aulas particulares de Português.
Foi uma das maiores poetisas portuguesas, tendo escolhido o Amor como tema de eleição. Além de contos, um diário e cartas, escreveu sobretudo poesia, notabilizando-se por obras como Livro de Mágoas (1919), Livro de Sóror Saudade (1923) e Charneca em Flor (1931).

 

 

FLORES (Rua das)

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Topónimo atualmente aplicado a uma pequena via que parte do Largo dos Paços do Concelho para Sul e entronca com a Rua das Piçarras. O seu segmento inicial, mais largo, foi chamado no séc. XVII Terreiro do Chafariz (Toponímia e urbanismo, 33-34).

 

 

FLORES (Travessa das)

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Rua adjacente ao Rossio, corresponde à antiga Rua das Flores, referida desde o séc. XVI (Toponímia e urbanismo, 40).

 

 

FONTAINHAS (Rua das)

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Antigo caminho que, desde a Idade Média, contornava parcialmente a vila murada e dava acesso, a quem vinha da Ponte de Alcácer, quer ao interior da cerca quer ao Arrabalde. Nela foi erguida uma fonte pública, ainda existente, para uso dos viandantes e dos animais que trouxessem.

 

 

FONTE DE TORRES

Topónimo referente a uma área dos arredores da antiga vila, hoje integrada na cidade. Provém da fonte e quinta do mesmo nome.

 

 

FRANCISCO JOSÉ MARECO (Rua)

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Foi ator de teatro no Grupo Dramático da Sociedade Carlista, tendo adaptado peças de teatro. Fez parte dos corpos gerentes da sociedade de 1938 a 1941.

 

 

G

GAGO COUTINHO (Avenida)

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Carlos Viegas Gago Coutinho nasceu em São Brás de Alportel a 17.2.1869 e faleceu a 18.2.1959.
Oficial da Marinha, distinguiu-se como cartógrafo, tendo realizado trabalhos de levantamento em Timor, Moçambique, Angola e São Tomé e Príncipe. Dedicou-se também à História Náutica, publicando estudos sobre a história das navegações portuguesas.
Em 1922, aquando das comemorações do centenário da independência do Brasil, fez, com Sacadura Cabral, a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, viajando entre Lisboa e o Rio de Janeiro. Em consequência desse feito, foi promovido a contra-almirante e recebeu diversas condecorações.

 

 

GARAGENS (Travessa das)

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Topónimo devido ao facto de esta rua dar acesso a garagens.

 

GERMANO DOS SANTOS VIDIGAL (Rua)

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Nome atribuído à antiga Rua da Parreira. Numa oficina de latoaria desta rua trabalhava Germano Vidigal, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e elemento destacado da organização local do PCP. Foi preso em 21 de maio de 1945, durante uma concentração de mais de um milhar de trabalhadores agrícolas, que lutavam por melhores salários e condições de trabalho, em cuja organização participara. Levado para o quartel da GNR, foi aí assassinado por agentes da PIDE a 9 de junho.
Esta rua foi, na fim da Idade Média, chamada Rua de Santo André, por nela existir a Albergaria de Santo André, que no séc. XV se fundiu com o Hospital do Espírito Santo.

 

 

GIL EANES (Rua)

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Nascido em Lagos, era escudeiro do infante D. Henrique, que o encarregou de navegar para além do Cabo Bojador, limite das viagens portuguesas, devido aos perigos que a sua navegação envolvia para os que a ela se aventuravam. Só em 1434 o feito foi consumado, permitindo que, daí em diante, a exploração das costas africanas prosseguisse com muito maior rapidez.

 

 

GIL VICENTE (Rua)

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Nascido em ano e lugar incerto, Gil Vicente faleceu cerca de 1536.
Foi responsável pela organização de eventos palacianos na corte de D. Manuel I. Nesse âmbito fez representar, a 8.6.1502, o Auto da Visitação ou Monólogo do Vaqueiro, considerado o ato fundador do teatro português. A sua obra, caracterizada pela crítica social, inclui, entre muitas outras peças, o Auto da Índia (1509), a farsa O Velho da Horta (1512), o Auto da Barca do Inferno (1516), a tragicomédia Frágua de Amor (1524) e a comédia Floresta de Enganos (1536). O conjunto das suas peças foi impresso em 1562 na Compilação de Todalas Obras de Gil Vicente.
Gil Vicente, além de fundador do teatro português, foi um importante autor teatral da Península Ibérica.

 

 

GOA (Rua de)

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Nome de um dos territórios do Estado Português da Índia anexados pela União Indiana a 18 e 19 de dezembro de 1961. A anexação pôs fim a mais de 450 anos de domínio português e originou uma onda patriótica que levou à adoção dos respetivos nomes em muitas localidades portuguesas.

 

 

GÓIS (Travessa dos)

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Via que liga a Travessa da Adega Funda ao Terreirinho. O topónimo tem origem no apelido familiar desses seus moradores.

 

 

GONÇALO VELHO (Rua)

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Gonçalo Velho ou Gonçalo Velho Cabral foi navegador na costa africana e cavaleiro da Ordem de Cristo. Foi encarregado por D. Afonso V de povoar as ilhas de Santa Maria e de São Miguel, nos Açores, sendo nomeado, em 1439, capitão-donatário da primeira e, em 1444, da segunda.

 

 

GONÇALVES ZARCO (Rua)

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João Gonçalves Zarco nasceu cerca de 1390 e faleceu a 21.11.1471.
Navegador ao serviço do infante D. Henrique, foi por este encarregado, em 1418, com Tristão Vaz Teixeira, do reconhecimento do arquipélago da Madeira. Em 1425 foi incumbido de povoar a ilha e, em 1450, recebeu a capitania do Funchal, uma das duas em que a ilha foi dividida.

 

 

GUARDA (Rua da)

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Antigo nome da atual Rua Curvo Semedo.
Este topónimo deve estar ligado às medidas que, durante séculos, as povoações tomavam para se defenderem de epidemias. Sempre que constava ter-se manifestado algum surto de peste no país ou em Espanha, as vilas e cidades procuravam evitar a entrada de possíveis portadores da doença. Para tal eram colocadas, nas entradas das terras, guardas da saúde, que exigiam aos recém-chegados, provas da sua proveniência. As últimas décadas do séc. XV e as primeiras do séc. XVI ficaram assinaladas, em Portugal, por frequentes epidemias.
Em 1518 a câmara nomeou Joane Mendes Goulão para «guarda desta vila à Porta do Sol» (uma das entradas do Arrabalde) e a compra a um oleiro de cântaros «para acarretarem água para as taipas da guarda de São Lázaro». Tal significa que a câmara tinha posto guardas nas principais entradas do Arrabalde, o que evidencia receio de peste. Na entrada de São Lázaro (o local a que nos referimos), uma das principais, tinha-se erguido uma construção provisória para albergar quem aí estivesse de guarda. Com a frequência das epidemias, a mesma tornou-se aí normal, acabando por dar o nome à rua que se formou a partir desse local (Toponímia e urbanismo, 42-43).

 

GUARITA

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Recanto da rua das Fontainhas, na encosta da antiga vila. Em 1703, Amaro Rodrigues Boleto tinha «uma morada de casas térreas junto ao pé da costa desta vila, com seu quintal, a que chamam da Gurita (…) e partem da banda de cima com caminho que vai para a igreja de Nª. Sª. do Bispo e da banda de baixo, o quintal, com caminho que vai da Torre da Machada para as Fontainhas». Em 1786 a Câmara era dona de um foro «de umas casas na Gurita». Este topónimo deve ter sido originado num abrigo para sentinelas integrado no sistema defensivo da vila intramuros (Toponímia e urbanismo, 43).

 

 

GUINÉ (Rua da)

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Antiga colónia portuguesa da África Ocidental, hoje República da Guiné-Bissau.
Os contactos portugueses com o território iniciaram-se no séc. XV, quando este era parte do reino de Gabu. A colonização só começou em 1558 com a fundação da vila de Cacheu. Bissau foi criada em 1697. A colonização do interior, no entanto, só se deu no séc. XIX.
Na década de 1960 começou a luta armada pela independência. Esta foi declarada em 1973 e reconhecida por Portugal a 10.9.1974.

 

 

H

HENRIQUE CRUZ (Maestro) (Rua)

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Dirigiu a Banda Filarmónica do Círculo Montemorense, «Pedrista», no seu período áureo, de 1932 a 1935 (O Associativismo Recreativo, 298-299).
Compôs o hino da Associação dos Bombeiro Voluntários de Montemor-o-Novo.

 

 

HERÓIS DE DADRÁ (Travessa)

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Dadrá e Nagar-Aveli fazem hoje parte da União Indiana, depois de terem integrado o Estado Português da Índia desde o séc. XVIII, Nagar-Aveli por cedência, em 1783, e Dadrá por compra, em 1785. Uma e outra foram ocupadas, em 1954, pela União Indiana.
A 22.7.1954 tropas indianas atacaram o posto de polícia de Dadrá, matando o subinspetor Aniceto do Rosário e o seu auxiliar António Francisco Fernandes. Os restantes elementos do posto renderam-se.
A soberania indiana sobre estes territórios só foi reconhecida internacionalmente depois de, a 3.12.1974, Portugal ter assinado com a União Indiana um tratado para esse fim, juntamente com o reconhecimento da pertença ao mesmo estado de Goa, Damão e Diu, ocupados desde 1961.

 

 

HERÓIS DO ULTRAMAR (Rua)

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Nome que homenageia os militares montemorenses que morreram na defesa do domínio português em territórios de Além-Mar.

 

 

HORÁCIO MACEDO (Rua)

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Horácio Cândido Macedo fundou, com o irmão Filipe, a firma Filipe Augusto Macedo & Irmão. Em 1932 era da direção do Círculo Montemorense, «Pedrista». Foi um opositor à ditadura do Estado Novo (Augusto Mesquita).

 

 

HORTA DAS ALMAS (Rua da)

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Este topónimo alude à propriedade desse nome, que existiu nesse local, que era foreira à Irmandade das Almas, erigida na igreja do Calvário.

 

 

HORTA DAS BACIAS (Rua da)

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Antiga designação da atual Rua de Lavre. Ligava o extremo da Rua Nova à horta desse nome, propriedade rústica aí existente. Em 1644 André Rodrigues deixou em testamento «a sua quinta, horta e casas das Bacias», onde vivia (Toponímia e urbanismo, 43).

 

 

HORTA DAS BACIAS (Travessa da)

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Já é referida em 1596, como «travessa que vai para a horta das Bacias» (Toponímia e urbanismo, 43).

 

 

HORTA DO GOIVO (Rua da)

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Este nome, que também aparece com a forma do Goio, refere-se a uma propriedade que existia no local e que foi cortada para abertura da rua que deu acesso à estação do caminho-de-ferro, inaugurado em 1909. Em 1783 a Horta do Goio pertencia aos herdeiros de Eugénio Francisco e era foreira ao Cabido de Évora.

 

 

HOSPITAL VELHO (Largo do)

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Nome dado ao antigo Terreiro do Espírito Santo depois da transferência do Hospital do Espírito Santo ou de Santo André, para o anterior Recolhimento de Nª. Sª: da Luz, em 1881. Também foi chamado, simplesmente, Terreiro do Hospital.

 

HUMBERTO DELGADO (General) (Largo)

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Humberto da Silva Delgado nasceu em Boquilobo, concelho de Torres Novas, a 15.5.1906 e faleceu a 13.2.1965.
Formado no Colégio Militar, serviu o Estado Novo, tendo ocupado diversos cargos políticos e militares. Foi procurador à Câmara Corporativa, adido militar na Embaixada de Portugal nos Estados Unidos da América, chefe da Missão Militar junto da NATO e Diretor-Geral da Aeronáutica Civil.
Os anos vividos nos EUA alteraram a sua visão política e, regressado ao país, em 1958 candidatou-se a Presidente da República contra o candidato do regime Américo Tomás. Durante a campanha eleitoral passou em Montemor-o-Novo, sendo recebido pelos democratas no então Largo Serpa Pinto, junto ao monumento aos Mortos da Grande Guerra, largo que hoje tem o seu nome.
Depois das eleições exilou-se no estrangeiro e desenvolveu ação conspirativa para o derrube da ditadura. Quando, a 13.2.1965, se procurava reunir com correligionários junto à fronteira portuguesa, perto de Olivença, foi surpreendido e assassinado por agentes da PIDE, a mando de Salazar.
Este largo foi antes chamado Terreiro das Portas do Sol e também Largo Serpa Pinto.

 

 

I

IMPRENSA LOCAL (Rua da)

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Topónimo que homenageia os diversos órgãos da imprensa periódica que, ao longo dos anos, foram publicados no concelho de Montemor-o-Novo.

 

 

IRMÃ SOUSA (Rua)

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Maria Salomé de Sousa (Irmã Sousa) pertenceu ao Instituto Religioso «Irmãs de São Vicente de Paulo» e prestou serviço de apoio ao Hospital de Santo André, de Montemor-o-Novo. Foi a fundadora do «Lar dos Pequeninos», destinado à proteção da primeira infância, cujo edifício foi construído em terreno cedido pela Misericórdia, sob projeto do arquiteto Francisco Caldeira Cabral (1908-1992) e inaugurado a 27.4.1941, quando a promotora já tinha falecido (Augusto Mesquita).

 

 

IRMÃOS DE SÃO JOÃO DE DEUS (Rua)

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Nome sugerido pela proximidade do Hospital da Ordem Hospitaleira de São João de Deus. Esta, inspirada na ação humanitária do santo, teve o seu primeiro regulamento canónico aprovado por Pio V, em 1571, e passou, em 1586, a ter categoria de ordem. Nos quatro séculos seguintes espalhou-se por todo o mundo, construindo hospitais.
A sua atividade em Portugal iniciou-se em 1580, no castelo de São Jorge, em Lisboa, num hospital criado para apoio às tropas espanholas. Em 1606 foi fundado um oratório do santo em Montemor-o-Novo, terra do seu nascimento. Em 1625 começou a construção do Convento e Hospital de Montemor-o-Novo. Em 1674 o Hospital de Santo André de Montemor, que era da Misericórdia, foi entregue à administração da ordem. Em 1834, com o regime constitucional, o convento foi extinto, como todos os outros do país, e o Hospital de Santo André voltou para a administração da Misericórdia.
Em 1950, no quarto centenário da morte do santo, foi fundado o Hospital Infantil de São João de Deus, inaugurado em 1966 (Cronologia geral, 112-114, 118, 138, 141 e 143).

 

 

J

JAIME CORTESÃO (Rua)

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Jaime Zuzarte Cortesão nasceu em Ançã (Cantanhede) a 29.4.1884 e faleceu a 14.8.1960.
Formado em Medicina em Coimbra, durante a Grande Guerra participou no Corpo Expedicionário Português, como capitão-médico. Foi diretor da Biblioteca Nacional de Lisboa de 1919 a 1927. Neste último ano foi destituído, devido à participação numa tentativa de derrube da ditadura militar, exilando-se em França até 1940. Depois fixou-se no Brasil, como professor universitário, nomeadamente de História dos Descobrimentos Portugueses. De regresso a Portugal, envolveu-se na campanha eleitoral de Humberto Delgado.
A sua obra abrange a História de Portugal e do Brasil, a Literatura, a Medicina, a Etnografia, tendo produzido ensaios, contos, memórias, poesia e teatro. Nela podem-se destacar Memórias da Grande Guerra (1916-1919), A Expedição de Pedro Álvares Cabral e o Descobrimento do Brasil (1922), Os Fatores Democráticos na Formação de Portugal (1930), Alexandre de Gusmão e o Tratado de Madrid (1950) e Raposo Tavares e a Formação Territorial do Brasil (1958).

 

 

JAIME LOPES BREJO (Rua)

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Esta rua foi aberta no séc. XX para ligar a Rua Nova aos antigos Chões, quando estes foram urbanizados, com a construção do Mercado Agrícola, Bombeiros e Jardim.
Jaime Arnaldo Lopes Brejo dirigiu a câmara de Montemor-o-Novo entre 1917 e 1922. Presidiu à direção do Asilo Montemorense de Infância Desvalida de 1910 a 1918. Entre 1921 e 1923 foi governador civil do distrito de Évora.
Depois da queda do sidonismo fundou, com Agostinho Ferreira de Carvalho, A Portuguesa, novo jornal republicano em Montemor. A Farmácia Montemorense, de que era proprietário, tornara-se local de encontro dos republicanos da vila (O impacto da Grande Guerra, 116).

 

 

JANELINHA (Rua da)

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Topónimo originado na Estrada da Janelinha, uma das saídas de Montemor-o-Novo para Nascente, que é ladeada pela Quinta da Janelinha, propriedade antiga murada e com aberturas em forma de janelas. Em 1783 a Horta da Janelinha tinha duas moradas de casas e pertencia ao Padre Dr. Fernando Pereira.

 

 

JOÃO GARCIA NUNES MEXIA (Engº.) (Praceta)

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Nascido em Mora a 3.8.1899, foi engenheiro silvicultor, presidente da Junta Nacional dos Produtos Pecuários, diretor da Associação Central da Agricultura Portuguesa e da Sociedade de Ciências Agronómicas. Deputado à Assembleia Nacional.
Publicou Conservação e Valorização dos Frutos dos Montados (1935), Subsídios para a Racional Exploração dos Montados de Sobro (1937) e Algumas Considerações sobre uma Economia Agrária Planificada (1955).
Em Montemor-o-Novo, a que esteve ligado por laços familiares, pôs em prática o projeto do seu cunhado António Justino da Costa Praça, falecido em 1961, de construção de instalações condignas para o Asilo de Mendicidade, transformando-o em Associação Protetora do Abrigo dos Velhos Trabalhadores. As respetivas obras foram inteiramente financiadas pela sua família. Foi também o principal impulsionador da constituição do Grupo dos Amigos de Montemor-o-Novo (1967), a que presidiu, assim como da reconstrução do antigo convento de São Domingos, para sede do mesmo. A 7.9.1967, em reconhecimento da sua obra social e humanitária, foi-lhe atribuído pelo município o diploma de «Cidadão Honorário de Montemor-o-Novo» (Para a história da assistência, 49-58; Histórias de vida, 18-19).

 

 

JOÃO JOSÉ (Irmão) (Rua)

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João José (José Bento) Caetano Pinto nasceu em Resende (Lamego) a 18.6.1887 e faleceu a 22.6.1958.
Ingressou na Ordem Hospitaleira de São João de Deus a 20.9.1904. Foi o primeiro superior-diretor da Casa de Saúde de São João de Deus, em Barcelos, em 1928 e de 1931 a 1934. Conselheiro provincial e superior da Casa de Saúde do Telhal de 1934 a 1937 e de 1940 a 1946. Foi o primeiro superior em Montemor-o-Novo, desde a ereção da Casa e durante a construção do edifício do Hospital Infantil, de 1947 a 1950 (Padre Aires Gameiro).

 

 

JOÃO LUÍS RICARDO (Dr.) (Rua)

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Nasceu em Vendas Novas, na época freguesia do concelho de Montemor-o-Novo, a 21.3.1875 e faleceu a 1.1.1929. Era doutor em Medicina pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa.
Foi deputado entre 1911 e 1917, assim como entre 1919 e 1926. Fez parte, por várias vezes, do Diretório do Partido Republicano integrou o diretório do Partido Republicano. Foi nomeado em 1917 Diretor Geral da Previdência Social. Em 1919 integrou o governo de António Maria Batista, como ministro da Agricultura. Foi também Administrador Geral do Instituto de Seguros Sociais Obrigatórios. Foi membro da Maçonaria, integrando, em Montemor-o-Novo, como Venerável (presidente) a loja «União e Trabalho».
Assumiu a presidência da Comissão Administrativa Municipal Republicana montemorense entre 11 e 17 de outubro de 1910 (O impacto da Grande Guerra, 117).

 

 

JOAQUIM JOSÉ FAÍSCA (Rua)

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Nasceu em Montemor-o-Novo a 23.10.1824 e faleceu a 20.3.1909. Barbeiro, depois comerciante de ferragens e ourives.
Foi um dos promotores da fundação do Asilo Montemorense de Infância Desvalida, inaugurado em 1876 no antigo Mosteiro de Nª. Sª. da Saudação. Seu dirigente e benfeitor, custeou parte das obras de adaptação do edifício conventual, construindo o teatro e legando-lhe a maior parte dos seus bens, parte dos quais herdara da mulher (Contributos para a história da arquitetura, 365-369).
Adquiriu uma casa no Rossio, junto à igreja do Calvário, para o Asilo de Infância, que este não viria a usar. Por isso, doou-a à «Associação Operária Montemorense 1º. de Maio de 1901», para sua sede.
Tesoureiro da Confraria do Santíssimo Sacramento. Vereador entre 1878 e 1881 (Entre a caridade e a filantropia, 103, 120 e 136).

 

 

JOAQUIM JOSÉ VARELA (Rua)

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Joaquim José de Santa Ana Varela nasceu em Montemor-o-Novo a 29.9.1779 e faleceu a 30.12.1836.
Em 1805 completou, em Coimbra, a licenciatura em Direito Canónico, na universidade já renovada pela reforma pombalina. Vivendo em Évora, ao serviço do arcebispado, no tempo do bispo D. frei Joaquim de Santa Clara Brandão tomou ordens menores e foi promovido a desembargador da Relação Eclesiástica. Adepto de um Liberalismo moderado, foi preso durante o regime miguelista. Colaborou no Investigador Português em Inglaterra, fundado em Londres, em 1811, por um grupo de portugueses exilados, com a Memória sobre a Extinção das Ordens Religiosas (1814) e outros trabalhos.
Foi membro correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa, em cujas Memórias publicou, em 1816, Memória Estatística Acerca da Notável Vila de Montemor-o-Novo, primeira abordagem científica e quantificada da vila e seu termo concelhio (Joaquim José Varela, 13-70 e 84).

 

 

JOAQUIM PEDRO DE MATOS (Largo)

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Nome atribuído, por decisão camarária de 21.11.1910, ao antigo Largo do Hospital Velho, anteriormente Terreiro do Espírito Santo.
Joaquim Pedro de Matos era natural de Águeda e estabeleceu-se em Montemor-o-Novo como comerciante em 1880. Foi o fundador do Partido Republicano Português em Montemor, cuja Comissão Municipal Republicana foi criada a 23.5.1901. A 1 de janeiro deste mesmo ano fundou, com o advogado Agostinho José Ferreira Ramos de Carvalho, o semanário Democracia do Sul, órgão do partido no concelho, onde se publicou até 1917, ano em que foi transferido para Évora.
Chegou a ser vereador da câmara. Faleceu a 18.3.1910, não tendo assistido à implantação da República (O impacto da Grande Guerra, 114-115).

 

 

JOAQUIM RODRIGUES AMARO (Rua)

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Fundador da Destilaria Montemorense, que comercializou o «Poejo» e o «Granito», bebidas alcoólicas aqui produzidas, dando-lhes grande projeção. Foi fotógrafo e correspondente de jornais.

 

 

JOSÉ ADELINO DOS SANTOS (Rua)

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Nome atual da antiga Rua da Cadeia.
Nascido em Santiago do Escoural a 25 de outubro de 1912, José Adelino dos Santos foi trabalhador agrícola e militante antifascista. Foi preso duas vezes pela PIDE, em 1945 e em 1947.
No decorrer de uma manifestação por melhores salários, em frente à câmara municipal, a 23 de junho de 1945, em cuja preparação tinha tido papel ativo, foi morto a tiro pelas forças chamadas para reprimir o protesto, a partir do edifício da câmara (José Adelino dos Santos, 217-227).

 

 

JOSÉ AFONSO (Rua)

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José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu em Aveiro a 2.8.1929 e faleceu a 23.2.1987.
Depois de viver em Angola e de cumprir o serviço militar, formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, em Coimbra, em 1963. Durante o curso pertenceu ao Orfeão e à Tuna Académica da Universidade e começou a cantar fados de Coimbra. De 1964 a 1967 foi professor em Lourenço Marques e na Beira (Moçambique). Em 1967 lecionou em Setúbal, tendo sido expulso do ensino por razões políticas, só regressando depois da Revolução. Em 1973 foi preso em Caxias pela sua ação política, embora não tivesse ligações partidárias.
Foi poeta e cantor, caracterizando-se a sua música pela intervenção social e política, com um papel central na renovação da música portuguesa das décadas de 1960-1970.
Da sua discografia destacam-se Cantares do Andarilho (1968), Cantigas do Maio (1971) e Coro dos Tribunais (1974).

 

 

JOSÉ CARDOSO PIRES (Rua)

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José Augusto Neves Cardoso Pires nasceu em Vila de Rei a 2.10.1925 e faleceu a 26.10.1998.
Após frequentar a Faculdade de Ciências de Lisboa e de ingressar temporariamente na Marinha Mercante, seguiu a carreira de jornalista. Foi um dos maiores escritores portugueses do séc. XX, tendo estado ligado aos movimentos neorrealista e surrealista.
Na sua obra destacam-se O Anjo Ancorado, novela (1958), Cartilha do Marialva, ensaio (1960), O Hóspede de Job, romance (1963), O Delfim, romance (1968) e Balada da Praia dos Cães, romance (1982).

 

 

JOSÉ GERALDO CARAVELA (Travessa)

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Trabalhador agrícola, cooperante da UCP (Unidade Coletiva de Produção) Salvador Joaquim do Pomar, do Escoural. Foi morto a tiro quando, a 27.9.1979, assistia, em solidariedade com os trabalhadores da UCP Bento Gonçalves, à entrega de uma das herdades da freguesia de São Cristóvão aos antigos proprietários. Tinha 57 anos.

 

 

JOSÉ GOMES FERREIRA (Rua)

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Nasceu no Porto a 9.6.1900 e faleceu a 8.2.1985.
Licenciado em Direito em 1924, foi cônsul de Portugal em Kristiansund (Noruega). Compositor musical. A partir de 1930, de regresso a Portugal, dedicou-se ao jornalismo e à literatura. Foi opositor ativo à ditadura do Estado Novo.
Publicou poesia, contos e romances, crónicas, diários e ensaios. Entre as suas obras poéticas destacaram-se Poesia, I a V (1948-1973) e Poeta Militante, I a III (1978).

 

 

JOSÉ GREGÓRIO (Travessa de)

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Nome da rua que liga a parte inferior da antiga Rua Direita e o Largo dos Paços do Concelho à Rua das Fontainhas, pela encosta da vila. Termina em escadas na parte superior. A sua designação tem, por certo, origem antroponímica.

 

JOSÉ HILÁRIO DE BRITO CORREIA (Rua)

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Foi o autor do 1º. Volume, consagrado aos Estudos Históricos, dos Estudos Históricos, Jurídicos e Económicos sobre o Município de Montemor-o-Novo (Coimbra, 1873), sob orientação do Prof. José Joaquim Lopes Praça. Foi juiz ordinário do julgado de Vendas Novas (Pedagogia e ilustração, 158-161).

 

 

JOSÉ JOAQUIM LOPES PRAÇA (Jardim)

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Nasceu em Castedo do Douro (Alijó), a 1.1.1844, e faleceu em janeiro de 1920.
Formou-se em Direito, na Universidade de Coimbra, em 1868 e nesse ano publicou História da Filosofia em Portugal nas suas Relações com o Movimento Geral da Filosofia. Em 1869 foi nomeado professor de estudos secundários em Montemor-o-Novo. Durante a sua estadia, incentivou os estudos locais, de que veio a resultar a obra Estudos Históricos, Jurídicos e Económicos sobre o Município de Montemor-o-Novo, da autoria dos seus alunos José Hilário de Brito Correia e José Manuel Álvares (1873-1875). Em 1872 tinha já publicado A Mulher e a Vida, em que defendeu o voto para as mulheres. Entretanto, casara-se com a filha do conde de Santo André, Elisiária Eugénia da Mata e Costa, ficando, a partir daí, ligado a Montemor-o-Novo.
Em 1882 ingressou como lente na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, regendo a cadeira de Direito Civil, indo viver para essa cidade com a família. Daí em diante seria às aulas e aos estudos jurídicos que dedicaria o seu principal esforço. Em 1893 publicou a Coleção de Leis e Subsídios para o Estudo do Direito Constitucional Português.
De 1904 a 1908, antes ainda de se jubilar, foi para Lisboa exercer o cargo de mestre de Filosofia do príncipe herdeiro D. Luís Filipe. Com o Regicídio, nesse último ano, retirou-se para Montemor-o-Novo, onde passou a viver.

 

 

JOSÉ MANUEL ÁLVARES (Rua)

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Autor do 2º. Volume, consagrado aos Estudos Jurídicos (Regimen Municipal), dos Estudos Históricos, Jurídicos e Económicos sobre o Município de Montemor-o-Novo (Coimbra, 1875), sob orientação do Prof. José Joaquim Lopes Praça.
Foi advogado da Câmara Municipal e publicou Formulário Civil, Comercial e Criminal Perante o Tribunal de Primeira Instância (Coimbra, 1890) (Pedagogia e ilustração, 158 e 161-163). Foi vereador no mandato de 1897-1898 e vogal da direção do Círculo Montemorense (Pedrista) em 1890 (O Associativismo Recreativo, 248 e 275).

 

 

JOSÉ RÉGIO (Rua)

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José Maria dos Reis Pereira nasceu em Vila do Conde a 17.9.1901 e faleceu a 22.12.1969.
Licenciou-se em Filologia Românica na Universidade de Coimbra em 1925. Foi professor do Ensino Liceal, primeiro no Porto e, depois, em Portalegre, onde viveu até 1966, regressando depois à sua terra de nascimento.
Como escritor usou o pseudónimo José Régio. Em 1927 foi um dos fundadores da revista Presença, de que foi o principal impulsionador e mentor, a qual veio a marcar o segundo modernismo português. Colaborou em muitos outros jornais e revistas.
Foi colecionador de arte e antiguidades, atividade que veio a dar origem às Casas-Museu com o seu nome em Portalegre e Vila do Conde.
Entre as suas obras de poesia destacam-se Poemas de Deus e do Diabo (1925), Biografia (1929), Fado (1941) e Filho do Homem (1961); na ficção, Jogo da Cabra-Cega (1934) e A Velha Casa (1945-1966). Entre as suas peças de teatro contam-se Jacob e o Anjo (1940) e Benilde ou a Virgem Mãe (1947). Escreveu também ensaios, autobiografias e correspondência.

 

 

JOSÉ SARAMAGO (Avenida)

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José de Sousa Saramago nasceu na aldeia da Azinhaga, Golegã, a 16.11.1922 e faleceu a 18.6.2010.
Viveu desde criança em Lisboa, onde fez estudos secundários.
Foi jornalista e escritor, tendo publicado romances, contos, poesia, peças de teatro, crónicas, memórias, diários e ensaios. O seu romance Levantado do Chão, publicado em 1980, decorre em Lavre e outros locais do concelho de Montemor-o-Novo, narrando o drama de uma família de camponeses, os Mau-Tempo, e através dela o do campesinato alentejano.
A 7.12.1998 a Academia Sueca entregou-lhe o Prémio Nobel da Literatura.

 

 

L

LAGARES (Travessa dos)

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Travessa confluente com a antiga Rua Direita., onde existiram lagares (Toponímia e urbanismo, 46).

 

 

LAVRE (Rua de)

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Este nome foi dado em 1927 à Rua da Horta das Bacias, por ser a saída para a vila de Lavre (Toponímia e urbanismo, 43).

 

 

LIBERDADE (Largo da)

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Este largo resultou da demolição da cerca do antigo convento de São João de Deus, extinto em 1834. O nome foi atribuído durante a Primeira República. Aí tinha sido inaugurado, em 26.5.1910, o Centro Escolar Democrático Montemorense, do Partido Republicano, com a presença de Bernardino Machado e António José de Almeida (O Mundo, 1-2). A 28.5.1911 já surge com esta designação.

 

 

LIBERDADE (Rua da)

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Topónimo alusivo à Liberdade reconquistada pela Revolução de 25 de Abril de 1974.

 

 

LISBOA (Rua de)

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Nome atribuído à anterior Rua de São Lázaro, em reunião camarária de 7.11.1910, para homenagear o povo de Lisboa e o seu apoio à causa republicana.

 

 

LOPES GRAÇA (Largo)

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Fernando Lopes Graça nasceu em Tomar a 17.12.1906 e faleceu a 27.11.1994.
Compositor e maestro. Fundador do Coro da Academia dos Amadores de Música. Autor de diversos livros sobre música.
Foi opositor à ditadura salazarista, tendo sido, por isso, várias vezes preso.

 

 

LUÍS DE CAMÕES (Rua)

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Nome atribuído, a 22.6.1915, à antiga Rua das Beatas.
Luís Vaz de Camões nasceu cerca de 1524 e faleceu a 10.6.1580.
Na juventude frequentou a corte de D. João III. Depois de uma estadia em Ceuta, em 1553 partiu para o Oriente. A partir de 1554 viveu e combateu em Goa, Malaca e Ormuz, tendo residido também em Macau entre 1563 e 1564.
Regressado ao reino em 1570, dedicou-se a terminar e publicar a sua obra literária: Os Lusíadas (1572), poema épico no qual, a propósito da viagem de Vasco da Gama à Índia, narra a história dos Portugueses. Trata-se da principal obra épica da literatura nacional. A sua poesia lírica foi reunida em Rimas, editadas postumamente em 1595 e, no género teatral, escreveu Filodemo e Anfitriões, sendo-lhe também atribuído o auto El-Rei Seleuco.
Devido à grande importância da sua obra para a cultura portuguesa, o dia em que faleceu, 10 de junho, é considerado o Dia de Portugal.

 

 

LUÍS DE FREITAS BRANCO (Rua)

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Luís Maria da Costa de Freitas Branco nasceu em Lisboa a 12.10.1890 e faleceu a 27.11.1955.
Depois de estudar música em Berlim e Paris, em 1916 foi nomeado professor do Conservatório de Música de Lisboa. Inicialmente ligado ao Integralismo Lusitano, a sua posterior aproximação ao grupo da Seara Nova e a oposicionistas da ditadura, como António Sérgio e Bento de Jesus Caraça, levou a que fosse afastado do Conservatório e da Emissora Nacional.
Compôs mais de uma centena de obras musicais, entre sinfonias, música coral-sinfónica, música de câmara e música para cinema, nomeadamente Suite Alentejana I e II. Publicou também livros sobre história da música e teoria musical.

 

 

LUÍS DE GRANADA (Frei) (Praceta)

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Luís de Granada foi um importante pregador dominicano. Em 1556 foi eleito, apesar de castelhano, provincial da sua ordem em Portugal. Teve grande influência na corte durante a regência de D. Catarina de Áustria, viúva de D. João III. Autor de célebres obras de teologia.
Foi confessor das freiras do mosteiro dominicano da Saudação, em Montemor-o-Novo e teve um papel decisivo na fundação do mosteiro dominicano de Santo António (Um documento inédito, 131-132).

 

 

M

MACHADO SANTOS (Largo e Travessa)

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Este nome foi dado ao então Largo da Estação pela Comissão Administrativa Municipal Republicana, a 11.10.1910.
António Maria de Azevedo Machado Santos nasceu em Lisboa a 10.1.1875 e faleceu a 19.10.1021.
Republicano e membro da Carbonária, era segundo-tenente da Armada quando da implantação da República, em que teve papel determinante no comando das tropas que defenderam a Rotunda da cidade de Lisboa (atual Praça Marquês de Pombal). Por isso foi chamado «Herói da Rotunda». Deputado à Assembleia Constituinte, participou depois em várias revoltas ocorridas durante a Primeira República, acabando por ser assassinado a 19.10.1921.

 

MANCEBIA (Rua da)

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Antiga designação da atual Rua da Paz.
As mancebias eram locais em que, desde a Idade Média, os municípios concentravam os alojamentos das prostitutas, de modo a diminuir a sua convivência com a restante população e os distúrbios que daí podiam nascer, assim como a facilitar o seu controle. Eram vulgarmente escolhidos locais periféricos que estivessem próximos de estalagens e mercados, por serem frequentados por viandantes. A situação da mancebia de Montemor-o-Novo, perto das estalagens do Rossio e à entrada do Arrabalde da vila, obedecia a essa regra. O topónimo é já mencionado em 1579 (Toponímia e urbanismo, 47).

 

 

MANUEL DA FONSECA (Rua)

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Manuel Lopes Ferreira Fonseca nasceu em Santiago do Cacém a 15.10.1911 e faleceu a 11.3.1993.
Foi jornalista, romancista, poeta e cronista, integrado no movimento neorrealista, corrente literária comprometida com a denúncia das injustiças sociais. O escritor deu expressão à vida dura do povo do Alentejo. Foi opositor à ditadura, tendo, por isso, sido preso em Caxias.
Entre as suas obras destacam-se, no romance, Cerromaior (1943) e Seara de Vento (1958). No conto, Aldeia Nova (1942) e Tempo de Solidão (1973). Na crónica, Crónicas Algarvias (1968).
Manuel da Fonseca esteve na Biblioteca Municipal de Montemor-o-Novo a 30.1.1987, num encontro com o público, para falar da sua obra.

 

 

MANUEL FRAGOSO (Rua)

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Poeta e autor teatral nascido em Montemor-o-Novo a 8.5.1886.
Republicano, foi deputado durante a Primeira República, em várias legislaturas.
Entre as suas peças de teatro, representadas em teatros de Lisboa, contam-se Outono (1939), A Lei do Coração (1940) e A Prima Eugénia (1950). Traduziu também diversas peças. Publicou o livro de poemas Terras de Sol (1970), sobre temática alentejana.

 

 

MANUEL JUSTINO (Rua)

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Manuel Justino Ferreira, nasceu a 18.9.1928 e faleceu a 28.10.2002. Foi cronista da imprensa e da rádio, autor e ator teatral, fadista e poeta. Em 1950 escreveu o drama em dois atos «O Perdão», representado na Sociedade Carlista e inúmeros textos carnavalescos representados nas duas sociedades. Os seus versos foram reunidos, postumamente, no livro Poeta que Parte … Poemas que Ficam, editado pelo Grupo dos Amigos de Montemor-o-Novo, em 2004 (Augusto Mesquita, 1.6.2019).

 

 

MANUEL RIBEIRO DE PAVIA (Rua)

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Nasceu em Pavia (Mora) a 19.3.1907 e faleceu a 19.3.1957.
Foi pintor e ilustrador da corrente neorrealista, de arte de conteúdo social, tomando como tema, entre outros, o povo alentejano. Ilustrou obras de numerosos escritores da sua época. Participou nas Exposições Gerais de Artes Plásticas, de 1946 a 1953. Opositor à ditadura do Estado Novo.
A 16.6.1984 foi inaugurada, na sua vila de nascimento, a Casa-Museu Manuel Ribeiro de Pavia.

 

 

MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA (Rua)

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A artista nasceu em Lisboa a 13.6.1908 e faleceu a 6.3.1992.
Estudou na Academia de Belas Artes, em Lisboa. Em 1928 foi residir para Paris e aí conheceu o pintor Árpád Szenes, com quem casou em 1930. O casal viveu bastantes anos no Brasil. Depois foi novamente viver em Paris.
Maria Helena foi uma das artistas abstratas mais importantes da Europa do período posterior à Segunda Guerra Mundial, tendo manifestado o seu talento na pintura, mas também na tapeçaria, no vitral e na ilustração.
Depois da Revolução de 25 de Abril recebeu várias homenagens e condecorações em Portugal, além das que já tinha recebido noutros países.
Em 1994 foi inaugurada em Lisboa a Fundação Árpád Szenes-Vieira da Silva, assim como o respetivo Museu.

 

 

MARIA LAMAS (Rua)

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Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas nasceu em Torres Novas a 6.10.1893 e faleceu a 6.12.1983.
Foi jornalista, publicou romances, livros para crianças e a obra As Mulheres do Meu País, reportagem sobre as condições de vida das mulheres portuguesas (1947-1950).
Defensora dos diretos das mulheres, em 1945 tornou-se presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Nas décadas de 50 e 60 foi ativista contra o Estado Novo, sendo presa várias vezes. De 1962 a 1969 viveu em Paris.
Após a Revolução de 25 de Abril foi presidente de honra do Movimento Democrático das Mulheres (MDM) (1975), recebeu a Ordem da Liberdade (1980) e foi homenageada pela Assembleia da República (1982).

 

 

MARINHA GRANDE (Rua da)

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Nome dado devido à elevação a cidade desta antiga vila, a 11.3.1988, em simultâneo com Montemor-o-Novo, Fundão e Vila Real de Santo António. Posteriormente, a 11.3.1993, as quatro novas cidades estabeleceram entre si um acordo de geminação.

 

 

MÁRIO VIEGAS (Rua)

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António Mário Lopes Pereira Viegas foi ator de teatro e cinema. Fundou três companhias teatrais. Foi também declamador de poesia, ao vivo, em disco e em programas de televisão.

 

 

MARMELOS (Rua dos)

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Antigo nome da atual Rua 31 de Janeiro. O topónimo está certamente relacionado com a existência de marmeleiros no local.

 

 

MÁRTIRES DA LIBERDADE (Praça)

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Topónimo atribuído para homenagear os montemorenses que deram a vida pela liberdade individual e coletiva.

 

MATA (Travessa da)

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Rua que ligava o antigo Terreiro do Espírito Santo à Praça Velha. Parece corresponder à Rua de Malforo, referida no séc. XIV (A propriedade do Mosteiro da Santa Trindade, 34).

 

 

MATADOURO (Rua do)

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O Matadouro Municipal foi inaugurado a 1.9.1935. A rua com esse nome, em frente ao respetivo edifício, liga a Rua de São Domingos ao início da Rua da Janelinha. Constitui a frontaria Nascente do antigo Rossio.

 

 

MATRIZ VELHA (Rua da)

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Rua que, a partir da vila extramuros, dava acesso à Igreja Matriz de Nª. Sª. do Bispo, dentro de muros. A Matriz passou a ser chamada Velha depois da transferência, em 1843, da sede dessa paróquia para a igreja do extinto convento de São João de Deus, onde hoje se encontra.

 

MIGUEL BOMBARDA (Dr.) (Largo)

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A 11 de outubro de 1910 a Comissão Administrativa Municipal Republicana atribuiu ao antigo Terreiro ou Largo do Corro o nome de Praça Doutor Bombarda.
Miguel Augusto Bombarda nasceu no Rio de Janeiro (Brasil) a 6.3.1851 e faleceu a 3.10.1910.
Foi lente da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e presidente da Academia Real de Ciências Médicas da mesma cidade. Diretor do Hospital de Rilhafoles. Publicou centenas de estudos sobre Medicina e Psiquiatria.
Deputado republicano e participante ativo na preparação da Revolução de 5 de Outubro. No dia 3 de outubro foi morto no Hospital que dirigia por um doente mental.

 

 

MOÇAMBIQUE (Rua de)

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Topónimo de homenagem a este país da costa oriental da África. Os Portugueses entraram em contacto com os seus povos no séc. XV. Posteriormente ocuparam vastas áreas do mesmo, até que o transformaram em colónia. Em 1975, depois de uma longa guerra de libertação, Moçambique proclamou a sua independência.

 

 

MONTEIRO TORRES (Rua)

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Óscar Monteiro Torres nasceu em Luanda a 26.3.1889 e faleceu a 20.11.1917.
Republicano convicto, depois de prestar serviço militar em Angola, em 1910, foi chamado para receber formação como piloto aviador, na Grã-Bretanha. Foi um dos aviadores do Corpo Expedicionário Português a participar na Grande Guerra, tendo sido abatido em combate a 19.11.1917. Foi o único aviador português a morrer em combate na guerra.

 

MONTEMOR-O-NOVO

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A origem do topónimo que designa a atual cidade está na localização da vila medieval, no cimo da maior elevação das redondezas, o Monte Mor ou Monte Maior. Deve datar da época da conquista do território de Évora, ao qual a povoação pertencia, aos Muçulmanos, no século XII. Surge com esta forma em todos os documentos que se lhe referem, inclusive no Foral de 1203, até 1237. Neste ano o mosteiro de São Vicente, de Lisboa, doou a igreja de São Mateus, «em Monte Maior o Novo», ao deão da Sé de Évora. Este é o documento mais antigo que se conhece em que a vila aparece assim chamada, o que sucederá sempre daí em diante. O objetivo era distinguir este Montemor daquele que se localizava na região coimbrã, junto ao Mondego, há muito mais tempo integrado em Portugal, o qual ficou a ser conhecido como Montemor-o-Velho. A partir da conquista do Alentejo tinham passado a existir duas vilas com o mesmo nome e era necessário distingui-las. Embora não se conheça a disposição legal que determinou a alteração dos topónimos, cujo documento parece ter-se perdido, ela deve ter sido adotada num ano próximo de 1237.

 

 

MORA (Rua de)

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Esta rua dá acesso à estrada para Mora, vila sede de município pertencente ao distrito de Évora. A mesma teve foral dado por D. Manuel I em 1519.

 

 

N

NICOLAU CATITA (Travessa)

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Nicolau da Conceição Catita foi músico da Banda da Sociedade Pedrista, até 1950, e da Banda da Carlista a partir daí. Foi também compositor, autor da letra e música da Marcha da Carlista (1966) e professor da sua Escola de Música.
Faleceu em 1985, com 76 anos (Sociedade Carlista, 297).

 

 

NORA (Rua da)

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Topónimo alusivo à fonte e nora setecentistas próximas deste local. Fizeram parte de uma quinta, com frontaria artística voltada para o Rossio, que pertenceu a Manuel Caetano Pratas, proprietário e vereador na vila setecentista. A fonte é rematada pela legenda «Esta obra mandou fazer Manoel Caetano Pratas. Anno 1744» (Manuel Caetano Pratas, 156-157).

 

 

NOSSA SENHORA DA VISITAÇÃO (Rua de)

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Rua que dá acesso à ermida de Nª. Sª: da Visitação. Esta foi construída a seguir à instituição, a 23.5.1516, por D. Manuel I, da respetiva festa, devendo ser comemorada em todo o reino a 2 de julho de cada ano. Em 1518 já se realizaram na vila esses festejos e, daí em diante, até hoje. O pequeno templo transformou-se em local de devoção e peregrinações, o que é comprovado pelos numerosos ex-votos que nele se mostram (A ermida de Nª. Sª. da Visitação, pp. 5-10).

 

NOVA (Rua)

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Rua aberta no séc. XVI. Referida em 1534 numa carta de D. João III à Câmara, como o «caminho que vai de São Sebastião e pelo curral, por fora das casas, ao Poço do Pássaro», com recomendação de que as casas fossem construídas alinhadas e de acordo com a ordem dada pelo corregedor e a rua ficasse da largura determinada. Em 1544 a via foi mandada calcetar, sendo chamada Rua Nova, designação que continuou a ser adotada daí em diante. Foi destinada à travessia da vila de quem se deslocava de Poente para Nascente, nomeadamente os forasteiros, como alternativa à passagem pelo interior da mesma.
Nela foram construídas amplas moradias pela burguesia e nobreza da vila. Na sua extremidade Poente foi erguida pelo município, em 1806, uma fonte pública, com obelisco encimado por um escudo armoriado dos símbolos régios e concelhios (Toponímia e urbanismo, 49-50).

 

 

NOVO (Terreiro)

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Pequeno largo entre a Rua Nova e a Rua do Terreirinho.

 

 

O

OFICINAS (Rua das)

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Este topónimo, embora contemporâneo, inspira-se na prática medieval de arruamento dos ofícios, em que a cada profissão correspondia uma rua. Neste caso, trata-se de oficinas de automóveis.

 

 

8 DE MARÇO (Rua)

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Este nome assinala o dia, do ano de 1550, que Francisco de Castro, primeiro biógrafo de São João de Deus, indica como o da sua morte, em Granada: «a la entrada del sabado, media hora después de matines, a ocho de Marzo de 1550 años». Como se desconhece o dia do nascimento, embora se atribua o mesmo ao ano de 1495, 8 de março foi sempre o dia de comemoração do santo montemorense. A 2 de março de 1678, já depois da beatificação, que ocorreu em 1630, a câmara decidiu adotar São João de Deus por padroeiro e protetor da vila, realizando anualmente, no seu dia, uma procissão solene (São João de Deus, 17 e 42-43). Atualmente é comemorado como Feriado Concelhio.

 

OLEIROS (Rua dos)

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Rua do antigo Arrabalde da vila, hoje chamada Rua de Santo António. Referida no séc. XVII e inícios do séc. XVIII, mas certamente anterior, dada a importância que teve em Montemor a produção oleira no séc. XVI e talvez mesmo antes (Oleiros de Montemor-o-Novo, 87-107).

 

 

OLIVAL (Rua do)

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Topónimo sugerido pelo olival em que a rua foi aberta.

 

 

OLIVENÇA (Rua de)

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Cidade atualmente integrada na Extremadura espanhola. Pertenceu a Portugal desde 1297, por ter sido cedida por Castela através do tratado de Alcanizes. Em 1801, no decurso da Guerra das Laranjas, foi anexada pela Espanha. Em 1817, no entanto, depois do Congresso de Viena, de 1815, que regularizou a situação na Europa pós-napoleónica, o estado espanhol reconheceu a soberania lusa, comprometendo-se a devolver a cidade e o seu território a Portugal, o que nunca fez. Daí nasceu a Questão de Olivença, diferendo nunca resolvido, que os dois países têm optado por não reacender.

 

 

P

PAÇOS DO CONCELHO (Largo dos)

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Designação usada desde o séc. XIX para o antigo Terreiro do Poço Tapado, onde existia um poço que, no séc. XVII, tinha sido transformado numa das fontes públicas da vila.
Nele foi construído, nos anos 40 do século XVIII, um novo edifício para o Senado da Câmara e para a Cadeia, substituindo os da antiga vila murada, que estava ao abandono, o que levou à alteração do topónimo. Em 1827 chamava-se Terreiro da Cadeia.

 

PEDRÃO (Rua do)

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Este topónimo, que também teve a forma do Padrão, deve-se à existência de algum afloramento rochoso natural ou pedra grande ali colocada.

 

 

PEDRO ÁLVARES CABRAL (Rua)

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Nascido em Belmonte cerca de 1467 e educado na corte de D. Afonso V, Pedro Álvares Cabral comandou, em 1500, a expedição à Índia durante a qual foi encontrado o território mais tarde chamado Brasil. Faleceu em 1520.

 

 

PEDRO BOTELHO DO VALE (Rua)

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Foi reitor da Matriz de Nª. Sª. do Bispo e, nessa condição, respondeu, em 1758, ao inquérito régio sobre o estado das paróquias do país após o terramoto de 1755. A resposta que redigiu, intitulada Descrição da Vila de Montemor-o-Novo pelo que Pertence à Igreja Matriz, foi a primeira monografia sobre a vila, com referência desenvolvida à sua história e descrição dos seus monumentos (O concelho de Montemor-o-Novo, 130-170).

 

 

PEDRO CID (Arquiteto) (Rua)

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Pedro Anselmo Braamcamp Freire Cid nasceu em 1925 e faleceu em 1983.
Formado em Arquitetura pela Escola de Belas Artes de Lisboa, em 1952, pertenceu à terceira geração de arquitetos modernistas portugueses, tendo privilegiado uma arquitetura límpida, despojada e discreta.
Entre os seus projetos destacam-se o do Pavilhão de Portugal na Exposição Universal de Bruxelas (1956-1958), o do Museu e sede da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa (1959-1969), com outros arquitetos, e o do Edifício Jean Monet, também em Lisboa (1974). Foi cavaleiro da Ordem Militar de Santiago da Espada (1969) e recebeu o Prémio Valmor e Municipal de Arquitetura, da Câmara de Lisboa (1975), pela participação no projeto da Fundação Gulbenkian.
No Ministério da Administração Interna, colaborou no lançamento dos GAT (Gabinetes de Apoio Técnico), destinados a proporcionar apoio arquitetónico às autarquias locais. Em 1978 assumiu a direção do GAT de Montemor-o-Novo, tendo dirigido, entre outros projetos, o da urbanização da CHE (Cooperativa de Habitação Económica) e o de adaptação do antigo Convento de São João de Deus a Biblioteca Municipal.

 

 

PEDROSAS (Travessa das)

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Corresponde à antiga Rua das Pedrosas, nome proveniente do apelido de uma família aí moradora.

 

 

PEIXE (Praça do)

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Nome por que foi chamada, no século XIX, a Praça Velha, hoje Praça Cândido dos Reis.

 

 

PELÁGIO PERES (Rua)

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«Pelagius Petri» (ou Pelágio Peres) surge como «pretor et populator» (pretor e povoador) de Montemor no seu primeiro foral, em latim, concedido por D. Sancho I no ano de 1203. O primeiro cargo corresponde ao de alcaide, governador militar e civil, e o segundo ao de sesmeiro ou distribuidor de terras aos moradores. Pode, assim, ser considerado o primeiro alcaide de Montemor, desde que a localidade foi promovida a vila, através desse foral, e também o primeiro povoador (Quem foi o primeiro governador da vila?. 1).

 

 

PELOMES (Beco dos)

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Rua do antigo Arrabalde. Mencionada em 1871 na escritura de venda «de uma morada de casas sitas na rua das Piçarras», que confrontavam «pelo norte com a rua dos Pelomes». Topónimo provavelmente originado no fabrico de curtumes (pelames) no local (Toponímia e urbanismo, 52-53).

 

 

PIÇARRAS (Rua e Travessa das)

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O nome desta rua, ligando a rua das Fontainhas ao terreiro de São Lázaro, pela encosta abaixo, teve, sem dúvida, origem na natureza acidentada do seu pavimento, de terra misturada com areia e pedra, o que se deveria à erosão provocada pela sua inclinação. Mencionado desde o séc. XVI (Toponímia e urbanismo, 53).

 

 

PINAS (Rua, Terreiro e Travessa das)

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Nome que tem certamente origem no apelido de uma família aí residente. Em 1654, moravam «na rua que vem do Poço Tapado para a Rua dos Oleiros» Isabel de Pina, viúva de Pedro Dias Carriço, perseguido pela Inquisição pela prática do Judaísmo, e as três filhas do casal, Maria, Micaela e Isabel de Pina. No séc. XVIII o nome já existia como topónimo (Toponímia e urbanismo, 53-54).

 

PINTO DE SÁ (Maestro) (Rua e Travessa)

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António Pinto de Sá dedicou-se à música, tendo sido professor de piano e compositor. Entre 1938 e 1949 dirigiu a Orquestra «Alma Nova Carlista», que acompanhou iniciativas dessa sociedade, intervindo também a solo como pianista (A Sociedade Carlista, 88, 163 e 183). Fundou o «Conjunto Pinto de Sá», que atuou em muitos eventos artísticos.

 

 

PIRES DA CRUZ (Capitão) (Rua)

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Nasceu na Covilhã em março de 1883 e faleceu em março de 1956. Em 1929 passou a reger a Banda da Sociedade Carlista, que deixou, por motivo de doença, em fevereiro de 1946. Pertenceu à direção desta sociedade, tendo tido papel de relevo na reconstrução da respetiva sede, destruída pelo ciclone de fevereiro de 1941 (Augusto Mesquita).
Esta rua foi chamada Rua do Cemitério, por nela ter existido o cemitério do Hospital do Espírito Santo.

 

 

PISCINAS (Rua das)

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Topónimo de tipo indicativo aplicado a uma pequena via que dá acesso às Piscinas Municipais.

 

 

POÇO DO PASSO (Rua do)

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Este topónimo é uma corruptela de Poço do Pássaro, mencionado entre os séculos XVI e XIX. Referia-se a uma fonte usada para abastecimento público.

 

POÇO TAPADO (Terreiro e Rua do)

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Antiga designação do atual Largo dos Paços do Concelho. Teve origem na existência de um poço onde, no séc. XVII, foi erguido um dos chafarizes da vila. Em 1698 a câmara encarregou um pedreiro das obras «que se haviam de fazer no Poço Tapado desta vila e o chafariz de donde lhe vai a água do dito poço, com a obrigação de se alimpar e desentulhar o dito poço e assim mais de se alevantar acima o que era necessário e fazer seus remates necessários para que a obra ficasse lustrosa» (Toponímia e urbanismo, 56). Trata-se da fonte atualmente contígua aos Paços do Concelho.
Do terreiro sai a Rua do Poço Tapado, que o une, no sentido Nascente, ao Terreiro das Pinas.

 

 

PORTA DO SOL ou das PORTAS DO SOL (Terreiro da)

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Antiga designação do atual Largo General Humberto Delgado, já assim usada no séc. XVI. O topónimo salientava a posição do local, na entrada do Arrabalde da vila voltada para Nascente. No séc. XVII foi sítio de mercados de géneros e também de trabalho. Algumas das suas casas tinham arcos, que foram fechados no séc. XVII (Toponímia e urbanismo, 57 e 58).

 

 

1º. DE MAIO (Rua)

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Topónimo comemorativo do Dia Internacional dos Trabalhadores, atribuído à antiga Rua do Corro às Portas do Sol a 22.6.1915.
A 1 de maio de 1886 uma greve em Chicago (EUA) de trabalhadores que lutavam pelo horário diário de 8 horas, foi reprimida com prisões e enforcamento dos seus dirigentes. Em 1889 a Internacional Socialista, reunida em Paris, decidiu convocar anualmente uma manifestação pelas 8 horas de trabalho, a 1 de maio, em homenagem aos manifestantes de Chicago. Em Portugal a data passou a ser oficialmente comemorada a seguir à Revolução de 25 de Abril, sendo o dia feriado nacional.

 

 

PRAÇA AO CORRO (Rua da)

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Esta via, ainda com este nome, ligava a antiga Praça Velha ao Terreiro do Corro.

 

 

Q

QUEBRA-COSTAS (Rua de)

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Rua que ligava a Praça Velha à Praça Nova, que existiu, até ao séc. XVII, no exterior da muralha, junto à entrada principal da vila. Quebrava (ou cortava) as costas (ou encosta) da vila. Este topónimo existe noutras terras do país, aplicado a ruas com declive muito acentuado. No séc. XVII já tinha escadas (Toponímia e urbanismo, 61). Chamou-se também, no séc. XIX, Rua do Relógio (Planta da vila de Montemor-o-Novo), por conduzir à Torre do Relógio, na muralha, junto à entrada principal da mesma.

 

 

QUINTA DA HORTA SECA (Praceta da)

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Nome sugerido pelo nome da propriedade que aí existiu.

 

 

QUINTAIS (Travessa dos)

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Designação devida aos quintais de prédios a que dá acesso.

 

 

R

RAMOS HORTA (Rua)

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José Manuel Ramos Horta nasceu em Timor a 26.12.1949. Jurista, durante a ocupação de Timor-Leste pela Indonésia, entre 1975 e 1999, foi o representante da causa timorense no estrangeiro. Em 1996 recebeu, em conjunto com o bispo D. Carlos Ximenes Belo, o Prémio Nobel da Paz pelo seu esforço «em prol de uma solução justa e pacífica para o conflito de Timor-Leste».
Foi Presidente da República de 2007 a 2012.

 

 

REPÚBLICA (Praça da)

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Nome atribuído, a 17.10.1910, por decisão camarária, ao anterior Largo do Calvário.
A República foi implantada em Portugal a 5 de outubro de 1910.

 

 

RICAS (Rua das)

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Rua, afluente do antigo Terreiro do Corro, cuja designação tem origem no apelido por que eram conhecidas as filhas, solteiras, de Manuel Mendes Rico e da sua mulher Marta Nunes de Vargas (Antónia, Helena, Inês e Isabel) que viveram no séc. XVII, irmãs de André Mendes Rico e tias do Dr. Simão Botelho Vogado. Em 1645 André Mendes Rico morava no «terreiro do Corro dos Touros». Simão Vogado dotou, em 1678, a filha Leonor de Sousa Vogada, para casar, com vários prédios e rendimentos, entre os quais foros «nas casas no Corro» e «na entrada da rua das Ricas». Em 1660 as filhas de Manuel Mendes Rico eram chamadas «as Ricas da rua Nova», pelo que aí deviam viver, sendo apenas proprietárias de prédios na rua conhecida pelo seu nome (Toponímia e urbanismo, 61-62).

 

 

ROSSIO

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Com origem no latim residuus (remanescente, resto) os rossios ou ressios designavam nas cidades e vilas portuguesas locais baldios, não cultivados (Portugal na crise, 193). Estes espaços, situados nas periferias das povoações, eram usados para funções de interesse coletivo.
O Rossio de Montemor-o-Novo ocupou uma área bastante superior à atual: na direção Leste – Oeste, entre o mosteiro de São Domingos e o começo da Rua de Avis e, na direção Norte – Sul, entre o Mosteiro de São Francisco e o lado Sul da Rua de D. Sancho I.
À sua volta foram construídas estalagens e oficinas de ferreiros e ferradores. Desde o séc. XVI foi nele levantado um chafariz para «nobrecimento da vila e proveito dos caminhantes».
Também aí se faziam eiras de pão, no tempo das ceifas, e se realizavam feiras.
Com o tempo, vieram a ser nele construídos diversos equipamentos coletivos como a Ermida de Nª. Sª. da Luz, no séc. XVI, o Recolhimento do mesmo nome (depois Hospital), no séc. XVIII, as duas sociedades recreativas, Carlista e Pedrista, a Praça de Touros e o Jardim Público, no séc. XIX e, no séc. XX, o Cine Teatro Curvo Semedo, as Escolas Básica e Secundária e o Estádio Desportivo, assim como um quarteirão de habitações (Toponímia e urbanismo, 62-63).

 

 

RUINHA

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Já é mencionada em 1539. Ligava o lado Norte do Rossio aos arredores da vila, paralelamente à Rua de Avis. Tinha características populares, com casas de um só piso.

 

 

S

SACADURA CABRAL (Rua)

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Artur de Sacadura Freire Cabral nasceu em Celorico da Beira a 23.5.1881 e faleceu a 15.11.1924.
Serviu em Angola e Moçambique, neste caso em trabalhos de levantamento hidrográfico. Diretor dos Serviços de Aeronáutica Naval. Realizou notável trabalho científico no âmbito da navegação aérea.
A 16.1.1916 fez o seu primeiro voo como piloto. Frequentou, em França, várias escolas de aviação. Em 1922 realizou, com Gago Coutinho, a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, entre Lisboa e o Rio de Janeiro.

 

 

SACRAMENTO (Rua do)

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Rua adjacente à Praça Velha. O nome pode dever-se à passagem frequente do Santíssimo Sacramento entre a Matriz Velha, intramuros, e o Arrabalde (Toponímia e urbanismo, 63).

 

 

SALGADO (Travessa do)

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Travessa que liga a Rua das Ricas à Travessa do Arco. Deve ter origem num apelido de família. Em 1746 são mencionadas casas «na rua das Ricas (…) que partem com a travessa do Salgado». Em 1701 morava na Rua das Ricas, talvez em casa com entrada para esta travessa, João Mendes Salgado (Toponímia e urbanismo, 64).

 

 

SALGADO ZENHA (Rua)

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Francisco de Almeida Salgado Zenha nasceu em Braga a 2.5.1923 e faleceu a 1.11.1993.
Advogado e opositor à ditadura, destacou-se na defesa em tribunal de muitos antifascistas. Depois de 1974 foi deputado e ministro da Justiça e das Finanças.
Autor de vários livros sobre política e cidadania.

 

 

SALGUEIRO MAIA (Capitão) (Avenida)

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Fernando José Salgueiro Maia nasceu em Castelo de Vide, a 1.7.1944 e faleceu a 4.4.1992. Foi Capitão de Cavalaria.
Formou-se na Academia Militar e prestou serviço em Moçambique e Guiné-Bissau, sendo colocado na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém.
Integrado no MFA, Movimento das Forças Armadas, a 25 de abril de 1974 partiu da sua unidade para Lisboa, à frente de uma coluna de carros blindados, tendo tido papel decisivo no êxito da Revolução que, nesse dia, derrubou a ditadura. Foi a ele que o chefe do governo, Marcelo Caetano, se rendeu no Quartel da GNR, no largo do Carmo.

 

 

SANTIAGO DO CASTELO (Rua de)

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Caminho que, a partir da Rua de São Domingos, sobe pela encosta da antiga vila, contornando-a parcialmente e dando acesso à ermida de São Pedro.

 

 

SANTO ANTÓNIO (Rua de)

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Atualmente designa-se assim a antiga Rua dos Oleiros. O topónimo deve ter derivado do nicho, de devoção a Santo António, aí existente. Aparece já, atribuído a esta rua, no lançamento da Décima de 1774.
Este nome foi antes aplicado à atual Rua de São Domingos, devido a ser chamado de Santo António de Lisboa o convento dominicano. No século XVIII a nova designação já era usada, pois em 1768 Mariana da Fonseca tinha casas «na rua de Santo António hoje chamada de São Domingos, que é a que vai da praça das Portas do Sol, largo de Nª. Sª. da Luz, para o convento de Santo António coabitado dos religiosos do patriarca São Domingos» (Toponímia e urbanismo, 64).

 

 

SÃO DOMINGOS (Rua de)

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Rua que ligava o Terreiro das Portas do Sol ao mosteiro dominicano de Santo António (ou de São Domingos), construído no séc. XVI. Chegou a ser chamada, até ao séc. XVIII, Rua de Santo António. O atual topónimo aplica-se também à rua que ladeia o antigo mosteiro.

 

 

SÃO FRANCISCO (Carreira e Largo de)

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Esta rua tem origem no caminho que ligava o antigo Rossio ao convento de São Francisco. Em 1569, D. Sebastião ordenou que se abrisse o caminho entre o mosteiro e o Rossio, a direito e sempre com a mesma largura, tendo sido, para isso, expropriado um terreno que ficava nesse percurso. A medição do mesmo, para efeito de avaliação, foi feita «na carreira e caminho de São Francisco» em março de 1571 (Convento de São Francisco de Montemor-o-Novo, 97). Em 1618 Manuel Botelho recebeu em dote de casamento, entre outros bens, «metade de umas casas que estão na carreira de São Francisco desta vila» (Toponímia e urbanismo, 65). O largo ocupa o topo norte da rua, em frente ao antigo convento.

 

 

SÃO JOÃO DE DEUS (Terreiro de)

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Nome usado só a partir do séc. XVII, quando foi construído o convento da Ordem Hospitaleira e foi aberto um pequeno largo à frente da respetiva igreja. O terreiro era mais reduzido que atualmente, pois o lado Norte estava preenchido por um quarteirão ladeado por duas ruas, paralelas à do Caldeirão, que já não existem. Também a Nascente existiu outro quarteirão, prolongando-se a Rua do Caldeirão até à entrada da Praça Velha (Toponímia e urbanismo, 66).

 

 

SÃO LÁZARO (Rua e Terreiro de)

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A Rua de São Lázaro ligava a Rua da Guarda (hoje Curvo Semedo) ao Terreiro dos Álamos, passando atrás da ermida de São Lázaro. Atualmente é chamada Rua de Lisboa.
O Terreiro de São Lázaro ficava em frente à ermida, no local em que desembocavam a Rua das Piçarras, a Rua da Guarda e a que, a partir do séc. XVIII, foi designada como Rua da Cadeia ou Rua da Cadeia a São Lázaro (Toponímia e urbanismo, 65).

 

 

SÃO MIGUEL (Rua de)

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Pequena via que ligava a rua de Avis aos terrenos (chamados Chões), ainda não urbanizados, que existiam entre esta rua e a do Poço do Pássaro (hoje do Poço do Passo), atualmente ocupados pelos largos Prof. Bento de Jesus Caraça e Calouste Gulbenkian, Mercado e ruas adjacentes. Este topónimo tem origem no registo de azulejo, setecentista, representando São Miguel, colocado numa das suas casas.

 

 

SÃO PEDRO (Rua de)

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Nome sugerido pela ermida vizinha, do mesmo nome e invocação, fundada em 1511.

 

SÃO SEBASTIÃO (Largo e Rua de)

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Topónimo que se refere à ermida medieval de São Sebastião, que se ergue nesse lugar.

 

 

SÃO VICENTE (Rua, Terreiro e Travessa de)

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Nome usado já no séc. XVI, aplicado à rua que ligava a igreja de São Vicente ao Terreiro do Corro, à travessa que levava da rua à travessa das Estopas e ao largo fronteiro à mesma igreja (Toponímia e urbanismo, 66-67).

 

 

SIMÃO DA VEIGA (Rua)

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Simão Luís da Veiga nasceu em Lavre, Montemor-o-Novo, a 8.6.1878 e faleceu a 19.3.1963.
Frequentou aulas de pintura em Paris, na Academia Julian, fundada em1867 por Rodolphe Julian. Daí em diante dedicou-se à pintura a óleo e aguarela, representando a vida campestre da lezíria ribatejana e as paisagens alentejanas, com destaque para os camponeses, os campinos, os toiros e os cavalos. Está representado em vários museus nacionais.
Proprietário de uma ganadaria de toiros, foi também toureiro, a pé e a cavalo, tendo atuado em muitas praças de Portugal e Espanha.

 

 

SIMÃO DA VEIGA JÚNIOR (Rua)

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Simão Luís da Veiga Júnior nasceu em Lavre, Montemor-o-Novo, a 22.6.1903 e faleceu a 19.8.1959. Era filho do pintor e cavaleiro Simão Luís da Veiga.
Estreou-se em público como cavaleiro tauromáquico com 12 anos na Praça de Touros de Montemor-o-Novo, em 1915 e tomou a alternativa de cavaleiro em 1922 na Praça do Campo Pequeno, em Lisboa. Foi um notável cavaleiro tauromáquico, com atuações em vários países do mundo.

 

 

SOEIRO PEREIRA GOMES (Rua)

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Joaquim Soeiro Pereira Gomes nasceu em Baião a 14.4.1909 e faleceu a 5.12.1949.
Foi escritor da corrente neorrealista, autor, entre outras obras, de Esteiros (1941) e Engrenagem (1951), além de contos e crónicas.
Dinamizador cultural, militante antifascista, membro do Partido Comunista Português.

 

 

SOFIA DE MELLO BREYNER (Rua)

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Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6.11.1919 e faleceu a 2.7.2004.
Grande poetisa, entre as suas obras incluem-se Livro Sexto (1962), O Nome das Coisas (1977) e Musa (1994). Escreveu também contos, como Contos Exemplares (1962), contos para crianças, de que é exemplo A Menina do Mar (1958), teatro e ensaios.
Politicamente, militou, antes de 1974, no grupo dos Católicos Progressistas. Já depois da Revolução foi deputada à Assembleia Constituinte, pelo Partido Socialista.

 

 

SOL NASCENTE (Travessa do)

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Topónimo com origem na orientação desta pequena via.

 

SOL POENTE (Travessa do)

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Topónimo sugerido pela orientação desta via.

 

 

T

TEÓFILO BRAGA (Rua)

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Nome dado, a 11.10.1910, pela Comissão Administrativa Municipal Republicana, à rua até então designada por Rua Direita.
Joaquim Teófilo Fernandes Braga nasceu em Ponta Delgada a 24.2.1843 e faleceu a 28.1.1924. Doutorou-se em Direito na Universidade de Coimbra e foi lente do Curso Superior de Letras, em Lisboa, a partir de 1872. Notável poeta, ficcionista, filósofo, etnólogo e historiador da literatura.
Como político, foi membro do diretório do Partido Republicano Português, presidiu ao Governo Provisório após o 5 de Outubro e foi Presidente da República em 1915.

 

 

TERRADO (Largo do)

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Este topónimo assinala a existência, antes da urbanização da área em que está implantado, de um terrado, ou terreno aplainado, junto a uma empresa fabril aí localizada.

 

 

TERREIRINHO (e Rua do)

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Largo referido, com esta designação, só a partir do século XVII. Teve, no século XVI e também no seguinte, o nome de Terreiro ou Terreirinho de António Ribeiro. A rua é a que liga o Terreirinho ao Terreiro Novo (Toponímia e urbanismo, 67-68).

 

 

TIMOR (Rua de)

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Antiga colónia portuguesa, hoje República Democrática de Timor-Leste.
Situada no Sudeste asiático, a ilha de Timor entrou em contacto com os Portugueses nos começos do séc. XVI, quando comerciantes lusos aí procuravam o sândalo das suas florestas em troca de tecidos, armas e instrumentos de ferro. Nos finais desse século frades dominicanos estabeleceram nela uma missão. Em 1702 a parte oriental do território foi transformada em colónia portuguesa e, em 1858, foi celebrado um tratado entre Portugal e a Holanda para a divisão da ilha entre os dois países.
Em 1975 a colónia de Timor proclamou a sua independência de Portugal. Mas só em 2002, depois de anos de guerra com a Indonésia, que anexou o território até 1999, foi internacionalmente reconhecida a República Democrática de Timor-Leste.

 

 

TOMÉ ADELINO VIDIGAL (Rua)

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Tipógrafo, jornalista, correspondente de periódicos como o Diário de Lisboa, o Diário de Notícias, O Século e República, em 1932 fundou o semanário O Montemorense, de que foi editor, o qual se publicou, na sua primeira série, até 1947.
Foi também jogador e dirigente do Grupo União Sport, fundado a 17.11.1914. Faleceu a 17.11.1978.

 

 

TORRE DA MACHADA (Rua da)

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Este topónimo faz, por certo, referência a uma casa-torre senhorial aí existente nos séculos XV-XVI, talvez pertencente a uma proprietária de apelido Machado. Em 1559 Inês de Aguiar deixou em testamento «as suas casas e quinta e chãos no arrabalde (…) junto à Torre da Machada» e, em 1637, Susana da Cruz morava «na travessa que está junto à Torre da Machada», o que pode ser indício de que nesses anos a torre ainda existia (Toponímia e urbanismo, 68).

 

 

30 DE NOVEMBRO (Rua)

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A 30 de novembro de 1976 foi criada a Cooperativa de Habitação Económica Alentejana, destinada à resolução do problema da falta de habitações.

 

 

31 DE JANEIRO (Rua)

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Nome atribuído, a 22.6.1915, à antiga Rua dos Marmelos, em homenagem à primeira tentativa de implantação da República, ocorrida no Porto. No dia 31 de janeiro de 1891 iniciou-se a revolta no Campo de Santo Ovídio (hoje Praça da República), no quartel do Regimento de Infantaria 18, dirigindo-se as forças revoltosas para a Câmara Municipal, na Praça D. Pedro IV (hoje Praça da Liberdade), onde proclamaram a República. Foram depois reprimidas e vencidas pela Guarda Municipal quando subiam a Rua de Santo António (hoje Rua 31 de Janeiro).

 

 

V

VALE DE FLORES

Nome de uma antiga área rural, ocupada por olivais, hoje urbanizada. Já mencionada em 1575.

 

 

VASCO DA GAMA (Largo)

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Vasco da Gama nasceu em Sines em 1469 e faleceu a 24.12.1524.
Incumbido por D. Manuel I de fazer a primeira viagem à Índia, partiu de Belém a 8.7.1497, com quatro navios, e chegou a Calecute a 20.5.1498, ligando, pela primeira vez, diretamente, por mar, a Europa ao Oceano Índico. Fez mais duas viagens à Índia, uma em 1502 e outra em 1524, tendo falecido em Cochim.
Foi nomeado pelo rei conde da Vidigueira e almirante da Índia.

 

 

VELHA (Praça)

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Antiga designação da atual Praça Cândido dos Reis. Já era referida com este nome em 1574. Poderá ter sido a Praça do Arrabalde mencionada em 1476. No séc. XVIII, com o abandono da vila amuralhada, passou a substituir a Praça Nova que, nos séculos XVI e XVII, existia no exterior da muralha, junto à Porta da Vila, como local de mercados e feiras. Em 1725 D. João V autorizou que nela se realizasse, todas as quintas-feiras, «mercado público de todos os géneros comestivos». Também para ela foram deslocados equipamentos que antes funcionavam dentro da cerca, como a Almotaçaria e Açougue do Peixe.
No séc. XIX foi também chamada Praça do Peixe (Toponímia e urbanismo, 59-60).

 

VERDE (Rua)

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Rua do antigo Arrabalde, paralela à Rua do Carvoeiro, onde, de acordo com a tradição, nasceu em 1495 João Cidade, mais tarde São João de Deus. A rua inicialmente prolongava-se até ao atual Terreiro de São João de Deus, tendo sido cortada no séc. XVII, com a construção do convento da Ordem Hospitaleira. A intenção de edificar a igreja dedicada ao santo no seu local de nascimento obrigou a que o trecho de rua que aí passava fosso incorporado no templo (São João de Deus, 33). A referência mais antiga conhecida à Rua Verde é de 1503 (Toponímia e urbanismo, 68-69).
A origem deste nome deve estar na cor que o pavimento da rua tomava quando, na época mais húmida, entre as pedras da respetiva calçada nascia erva, como ainda hoje sucede.

 

 

VERGÍLIO FERREIRA (Rua)

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Vergílio António Ferreira nasceu em Gouveia a 28.1.1916 e faleceu a 1.3.1996.
Depois de frequentar o Seminário do Fundão, ingressou na Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Filologia Clássica, em 1940. Foi professor do Ensino Liceal em Faro, Bragança, Évora e Lisboa.
A sua obra literária foi influenciada pelo Neorrealismo, pelo Existencialismo francês e por outras correntes filosóficas e literárias. Escreveu, entre outros livros de ficção, Manhã Submersa (1954), Aparição (1959) e Alegria Breve (1965). Publicou o diário Conta-Corrente (1980-1994), assim como ensaios.

 

 

VICENTE AUGUSTO PIRES DA SILVA (Dr.) (Rua)

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Foi médico ao serviço do Hospital de Santo André e diretor clínico do Hospital Infantil de São João de Deus, tendo exercido também clínica particular. A sua ação médica caracterizou-se pela dedicação e pela generosidade e sensibilidade com que acompanhava os doentes.

 

 

VILA MARIA HELENA

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Topónimo referente ao grupo de construções existente na antiga propriedade desse nome.

 

 

VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO (Rua de)

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A atribuição deste nome resultou da elevação a cidade desta antiga vila, a 11.3.1988, simultaneamente com Montemor-o-Novo, Fundão e Marinha Grande. A 11.3.1993 foi celebrado um acordo de geminação entre as quatro novas cidades.

 

 

25 DE ABRIL (Praceta e Rua)

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Nome que assinala a Revolução de 25 de Abril de 1974, que pôs fim à ditadura do Estado Novo e instaurou a Democracia.

 

 

X

XIMENES BELO (Rua)

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Carlos Filipe Ximenes Belo nasceu em Baucau (Timor) a 3.2.1948.
Foi nomeado bispo de Díli em 1988, cargo de que resignou em 2002. Recebeu o Prémio Nobel da Paz, com José Ramos Horta, em 1996, pelo seu trabalho «em prol de uma solução justa e pacífica para o conflito de Timor-Leste».
Depois da proclamação da independência de Timor-Leste, antiga colónia portuguesa, em 1975, o país tinha sido ocupado pela Indonésia. Desde aí e até 1999, os timorenses resistiram aos ocupantes. A 20.5.2002, após um período de transição, o novo estado passou oficialmente a existir.

 

 

Bibliografia citada

. Adalberto Alves, Dicionário de arabismos da língua portuguesa, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2013.
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. Augusto Mesquita, «Inauguração», Folha de Montemor, abril de 2011.
. Augusto Mesquita, Sociedade Carlista, pedaços da sua história, Montemor-o-Novo, 2011.
. Augusto Mesquita, Tributo aos 60 anos do Rancho Folclórico Fazendeiros de Montemor, [em alandroal.blogspot.com/2018/11/vasculhar-o-passado.html].
. Augusto Moutinho Borges, «Cronologia geral da Ordem Hospitaleira de São João de Deus em Portugal: 1606-2010», Almansor, nº. 10 (2ª. Série), Montemor-o-Novo, 2012-2013, pp. 109-162.
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. António Alberto Banha de Andrade, São João de Deus na sua terra natal, Évora, 1978.
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. «O concelho de Montemor-o-Novo nas Memórias Paroquiais de 1758», Almansor, nº. 3 (1ª. Série), Montemor-o-Novo, 1985, pp. 121-177.
. Isabel Branquinho, «A propriedade do Mosteiro da Santa Trindade de Santarém em Montemor-o-Novo (séculos XIV-XV), Almansor, nº. 1 (2ª. Série), Montemor-o-Novo, 2002, pp. 33-54.
. Jorge Fonseca, «A cultura da vinha em Montemor-o-Novo», Almansor, nº. 7 (2ª. Série), Montemor-o-Novo, 2008, pp. 81-111.
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. Jorge Fonseca, «Manuel Caetano Pratas, negociante, homem da governança e fidalgo aprendiz», Almansor, nº. 13 (1ª. Série), Montemor-o-Novo, 1995-1996, pp. 153-174.
. Jorge Fonseca, «Oleiros de Montemor-o-Novo: contributo para o seu estudo», Almansor, nº. 4 (2ª. Série), Montemor-o-Novo, 2005, pp. 87-107.
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. Teresa Fonseca, «Pedagogia e ilustração em Montemor-o-Novo ao longo do século XIX», Almansor, nº. 8 (2ª. Série), Montemor-o-Novo, 2009, pp. 145-196.
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Carlos Carpetudo