O tema do artigo é a ocorrência de manifestações heterodoxas em Montemor-o-Novo, em 1512, nas quais algumas pessoas foram atacadas por tremuras, dizendo-se mensageiras de Deus para a cura de doenças. Esse fenómeno atraiu uma grande multidão à vila e levou à intervenção do juiz de fora, do rei D. Manuel I e do bispo de Évora D. Afonso de Portugal. Este último, em consequência desses factos, colocou a população sob interdito, o que, por sua vez, agravou as relações entre o prelado e a coroa. A fonte em que se baseia contém duas cartas do juiz de fora: uma dirigida ao rei, narrando os acontecimentos, e outra ao secretário de estado, sobre o mesmo assunto, ambas pertencentes ao Corpo Cronológico da Torre do Tombo, que já tinham sido publicadas, em 1908, por Pedro d’Azevedo. O objetivo deste trabalho é um melhor enquadramento histórico desses sucessos, assim como tentar interpretar tais fenómenos à luz da ciência contemporânea. O texto é complementado com a transcrição das duas fontes atrás referidas.
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