Santa Maria do Bispo 3D - Montemor-o-Novo 1534


A história da Igreja de Santa Maria do Bispo


Situada na zona oeste do Castelo de Montemor-o-Novo, a Igreja de Santa Maria do Bispo ter-se-á estabelecido ali nos inícios do século XIV. A primeira referência documental que a refere é datada de 1321, precisamente no rol das Igrejas ordenado por D. Dinis, quando a vila de Montemor-o-Novo ainda se situava, na sua maioria, dentro do perímetro amuralhado. Em tempos um imponente edifício de três naves e catorze colunas, da Igreja de Santa Maria do Bispo apenas restam hoje as ruínas do seu majestoso portal manuelino e das capelas na cabeceira. A designação de ‘Bispo’ deve-se ao facto de o respectivo padroado e rendas pertencerem ao Bispo de Évora, estando os da Igreja de Santa Maria da Vila ligados, por sua vez, ao Cabido da mesma cidade.

As fases de construção


Em 1524, mais de dois séculos depois da conclusão dos trabalhos iniciais, começa uma nova campanha de obras numa altura em que o arrabalde da vila começava a ganhar mais força económica. Durante o reinado de D. João III, esta campanha de construção implicou a quase total reconstrução da Igreja de Santa Maria do Bispo ao estilo manuelino. É precisamente esta a fase que esta reconstrução virtual pretende trazer de volta através da documentação histórica, da arqueologia da arquitectura, do levantamento fotogramétrico e da modelação 3D.


Levantamento da Arqueologia da Arquitectura


A fase reconstruída virtualmente foi precisamente a da reforma do Bispo de Évora, o cardeal infante D. Afonso, da qual são ainda vestígios o imponente portal manuelino e a capela de São Jorge ainda existente à cabeceira das ruínas da actual Igreja de Santa Maria do Bispo.

As representações da Igreja de Santa Maria do Bispo


Sem um abundante número de representações da Igreja de Santa Maria do Bispo, é curioso constatar que as duas representações existentes acontecem no espaço de apenas dez anos, tendo em conta o funcionamento da Igreja enquanto lugar de culto ao longo de séculos. Entre 1669 e 1679, Pier Maria Baldi primeiro e depois um autor desconhecido retratam o aspecto exterior da Igreja de Santa Maria do Bispo já no século XVII. A segunda representação encontra-se no sub-coro da Igreja do Convento de São João de Deus, a actual Igreja Matriz.

A documentação histórica

O testemunho do padre Pedro Botelho do Valle nas memórias paroquiais – 1758


No alto do monte, ou antiga vila à parte do Ocidente foi fundada a Paróquia de Nossa Senhora do Bispo nos anos de 1300 pelo Bispo Diocesano, constituindo-se Prior da mesma, e erigindo a Matriz.(...) Fica a sobre-dita Paróquia com a porta principal para o Ocidente(...) Fundada em três naves que se dividem e se sustentam em catorze colunas de pedra com três capelas no frontispício(...) Na nave da parte do Evangelho fica uma capela que antigamente se chamava de S. Jorge(...) No altar da Capela Mor se vê colocada uma perfeita imagem de Nossa Senhora do Ó, chamada vulgarmente Santa Maria do Bispo.(...) Ficando da parte da Epístola uma imagem do Senhor São Brás de quem se venera na dita igreja uma relíquia que toda a (...)

gente do povo no seu dia concorre a beijar(...) (E) outra de S. Bartolomeu, que mandou fazer Gomes e Annes Carvalho no ano de 1457, que o senado da câmara administra e paramenta tendo-a fechada com grades de ferro (…) as quais se fecham com duas chaves uma que tem o reitor da igreja e outra o senado da câmara(...) Na nave da parte do evangelho está outro altar à face da parede em que se venera a imagem de St.ª Catarina pintada.(...) Na mesma nave, logo à entrada da porta da igreja está a pia baptismal aonde o glorioso S. João de Deus foi baptizado.(...) O coro seguindo o repartimento das naves se divide em três coros.”

O levantamento fotogramétrico do terreno


Através do recurso à aerofotogrametria com Drone, com o apoio da GEODRONE, foi executado um levantamento da topografia da zona ocidental do Castelo de Montemor-o-Novo com 85 fotografias tiradas a uma altura de 90m.


As personagens do século XVI




Recorrendo a várias representações do século XVI, com o intuito de providenciar a escala humana à reconstrução virtual, foram criadas várias ilustrações pela ilustradora Helena Barreiras que depois foram aplicadas ao modelo final 3D da reconstrução de 1534.

Os planos 2D da reconstrução


O ponto de partida esquemático para a representação 3D foi precisamente a projecção da informação recolhida, através de todos os elementos históricos, estruturais e de paralelos, em plantas e alçados 2D.

A escala de evidência arqueológica*



Bibliografia


ALMEIDA, Fortunato de (1910) – História da Igreja em Portugal. Coimbra: Imprensa Académica, Tomo II.
BARROCA, Mário (1992) – “Medidas-padrão medievais portuguesas”, Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, história, Nº 9, p.53 – 85.
JORGE, Virgolino Ferreira (1999) – Espaço e euritmia na abadia medieval de Alcobaça, Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa, Nº. 93, tomo I, p. 3 – 27.
JORGE, Virgolino Ferreira (2006) – “Arquitectura, medida e número na igreja cisterciense de S. João de Tarouca” in Estudos de homenagem ao Professor Doutor José Amadeu Coelho Dias. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Vol. 2, p. 367 – 385.
JORGE, Virgolino Ferreira (2007) – “Arquitectura, medida e número na catedral de Évora” Monumentos, Nº 26, p. 26 – 37.
JORGE, Virgolino Ferreira (2011) – “As igrejas medievais dos franciscanos em Portugal: Síntese de caracterização tipomorfológica” Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa, Nº 96, tomo I, p. 2 – 30.