';
side-area-logo
Uma Ermida na Serra do Monfurado


Na pitoresca estrada das Caeiras (uma transversal à Estrada Nacional 2, no sentido Montemor-o-Novo – Escoural), depois de passar pela Quinta da Torre do Carvalhal, pelo Convento dos Monges e pelo forno de cal das Caeiras, avista-se à direita a Ermida de São Luís da Mogueira.

Uma vista para o adro que dá acesso à ermida.

Esta ermida, construída em data indeterminada durante o século XVII, teve obras de beneficiação em 1794-95 tal como pode ser confirmado numa das inscrições da ermida. Está implantada num adro artificial sobrelevado, em plena serra de Monfurado, rodeada por montado de azinho e sobro e em terrenos com água abundante.

A ermida é composta por nave central, dois altares laterais, capela-mor, coro alto e sacristia. O altar encontra-se revestido de estuques polícromos. Nos alçados laterais podem observar-se quatro medalhões ovóides com as representações de São Luís, Rei de França e patrono da ermida, S. Francisco de Assis, Santa Isabel de Portugal e São Luís, Bispo de Tolosa.

Trata-se, no fundo, de uma ermida rural de arquitetura popular e sem obras de arte de relevo. São, contudo, as tradições que lhe estão associadas que fazem desta uma ermida especial.

No dia 25 de agosto celebra-se o dia de São Luís, que aqui assume o papel de santo protetor do gado. No último fim de semana desse mês tem lugar nesta ermida uma festa e romaria que ainda hoje atrai algumas dezenas de pessoas. Noutros tempos, esta celebração de São Luís atraía a população das Caeiras, de São Mateus, Montemor-o-Novo, Escoural e São Cristóvão, com o objetivo de proteger os animais e os rebanhos da região.

Pormenor do portal de entrada da ermida.

Depois da marcha até ao santuário, o gado que chegava com os seus donos dos montes e quintas mais próximas dava três voltas rituais em torno da ermida. Depois da missa tinha lugar a procissão com o santo em torno da ermida seguido pelos fiéis e o pagamento de promessas em alimentos ou em ex-votos de cera com forma de animais, pedindo ao santo proteção e auxílio na cura de doenças ou o retorno dos animais no caso de fuga ou roubo. No interior podem ainda observar-se vários destes ex-votos em cera.

Tinha depois lugar o leilão das fogaças (grandes tabuleiros com pães, bolos, assados de borrego e queijos) pelas famílias que depois partilhavam as merendas em convívio junto do santuário e da fonte. Por fim tinham lugar os jogos das “cavalhadas” e o baile no adro da ermida.

Apesar de atualmente se ter praticamente perdido a tradição da bênção do gado, a festa dedicada a São Luís ainda persiste realizando-se a missa, a procissão à volta da ermida e a merenda partilhada. A cerca de 200 metros da ermida e voltada para esta existe uma fonte de mergulho em alvenaria, utilizada pelos peregrinos, com um nicho e uma imagem de São Luís.

A ermida encontra-se em propriedade privada e o proprietário deve ser contactado previamente.

Carlos Carpetudo