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Uma ermida medieval com uma história por contar


Localizada a cerca de dois quilómetros a Norte de Montemor-o-Novo, a ermida de Santo André do Outeiro teve a sua fundação durante o período medieval (por volta de 1316, como é sugerido pelo pároco da Igreja Matriz de Santa Maria do Bispo em 1758 nas memórias paroquiais). Embora exista esta menção do século XVIII à ermida, a restante documentação é escassa, existindo apenas outro documento datado de 1468 que menciona a aplicação e distribuição das rendas, não avançando com qualquer outro dado para além disso. Até ao seu abandono, durante o século XIX, não se conhece mais nenhum documento que a mencione. Já durante o século XX, a ermida entra em ruína na maior parte da sua nave e toda a fachada desaparece, sendo que é também durante esta altura que é implementado um marco geodésico na abside, que ainda hoje por lá permanece.

Através da leitura da arquitectura que ainda existe, foi possível, em 2008, elaborar um estudo que identificou quatro fases de construção desta ermida:

  1. no final do século XIII, início do século XIV – com a construção das paredes da ábside e a última parte da nave, arcos e fachada. Após a edificação destas, a cobertura de madeira é colocada, finalizando a primeira fase de construção;
  2. ainda na época medieval – as paredes exteriores são reforçadas e a nave sobe em altura no último tramo. É também nesta fase que surge uma galilé encostada a três dos lados da ermida.
  3. início do século XVI – não existem alterações estruturais no edifício, alterando-se apenas o revestimento da parede, que anteriormente era em argamassa de junta expandida, e agora passa a estar completamente coberta por cal.
  4. Alteração do interior na passagem da terceira fase (à esquerda) para a quarta fase (à direita) de construção da ermida de Santo André do Outeiro.

    primeiro quartel do século XVII – nesta fase, provavelmente devido a problemas estruturais, a fachada recua. A cobertura de madeira é substituída por uma abóbada. As portas laterais são entaipadas e a galilé desaparece por completo. Surge ainda uma cornija junto à cobertura.

Foi com base nos dados obtidos nesse estudo que, em 2015, foi executada a reconstrução virtual da ermida de Santo André do Outeiro com o objectivo de contar a história que a sua estratigrafia arquitectónica tem para contar. Uma narrativa arquitetónica contada através da sobreposição das suas várias fases, desde o período medieval até ao século XVII, com opções curiosas na sua construção. Pode visualizar a reconstrução virtual deste monumento do concelho de Montemor-o-Novo no vídeo em baixo.

O estado da ruína da ermida de Santo André do Outeiro em 2015.

 

Carlos Carpetudo