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UM TERREIRO QUE É UM MONUMENTO A JOÃO CIDADE


O terreiro de São João de Deus, em 1961, ainda sem a estátua do Santo (Fonte: Arquivo DGEMN).

A cripta de São João de Deus em 1950 (Fonte: Arquivo DGEMN).

A 8 de março de 1495 nascia, na rua Verde, João Cidade. Batizado na antiga igreja Matriz de Santa Maria do Bispo, no castelo, ficaria mais tarde conhecido por S. João de Deus, dando origem à Ordem Hospitaleira com o seu nome que atualmente tem instituições espalhadas pelo mundo.

O local onde o santo nasceu foi desde cedo alvo de culto e de peregrinação. Em 1607 já aqui existia um pequeno oratório construído entre a Rua Verde e a Rua dos Oleiros, atual Rua de S. António, contudo o atual convento só fica concluído em 1643.

Em 1834, com a extinção das ordens religiosas por Joaquim Antonio de Aguiar o convento de S. João de Deus foi, tal como todos os restantes conventos masculinos portugueses, incorporado na Fazenda Nacional e, a 6 de abril de 1863 passa a pertencer ao município de Montemor.

As grandes dimensões do edifício levaram a que fosse utilizado para diversas funções e em 1863, segundo o auto de tomada de posse já aqui funcionavam no piso inferior o Teatro Dramático Montemorense e o Quartel de Destacamento de Infantaria da Vila. No andar superior encontravam-se as Confrarias Erectas da Igreja, a aula de Instrução Primária e Secundária, a Administração do Concelho, a Repartição da Fazenda e o Tribunal Judicial.

Ao longo dos anos seguintes, vários foram os serviços que aqui se instalaram. Contudo com as condições do edifício a degradarem-se estes serviços vão abandonando o convento e aquando do 25 de Abril de 1976 encontrava-se praticamente em ruínas. Poucos anos depois, com o apoio do Instituto Português do Livro e da Leitura, a Câmara Municipal recupera o edifício e aqui se instalam a Biblioteca e Arquivo Histórico e a Galeria Municipal.

Arraste a barra para ver a fotografia do Terreiro de São João de Deus hoje em comparação com uma fotografia de 1963 (Fonte: Arquivo DGEMN).

 

Pintura com a representação do nascimento de São João de Deus presente na Igreja Matriz (Fonte: Arquivo DGEMN).
A pia batismal onde João de Deus terá sido batizado, oriunda da Igreja de Santa Maria do Bispo (Fonte: Arquivo DGEMN).

Enquanto o edifício do convento foi tendo diversas funcionalidades, a Igreja manteve a sua função inicial sendo em 1843 transformada em Matriz da vila, por a antiga Matriz situada na Igreja de Santa Maria do Bispo no Castelo se encontrar em avançado estado de abandono e degradação.

No interior da igreja, para além de importantes obras de arte sacra, do retábulo e da azulejaria, merece destaque a pia batismal, onde segundo a tradição foi batizado S. João de Deus. O teto da igreja encontra-se coberto de frescos com motivos florais e ao centro a imagem de S. João de Deus.

A praça em frente ao convento adotou, logo a seguir à construção deste, o nome de Terreiro de S. João de Deus, embora nessa altura fosse mais pequeno devido à existência de uma rua paralela à rua do Caldeirão que, entretanto, desapareceu. Aqui se situavam nos séculos XVI e XVII os celeiros gerais.

Na década de 60 do século XX, o Terreiro sofreu obras de remodelação, altura em que a estátua do santo montemorense foi colocada no centro do Terreiro.

Carlos Carpetudo