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UM LARGO QUE NEM SEMPRE TEVE PALMEIRAS


A Praça Dr. Miguel Bombarda, conhecida pelos Montemorenses como Largo das Palmeiras, faz parte da primeira fase de expansão da vila de Montemor para o arrabalde. Desconhece-se a data da sua constituição, contudo deverá ser ainda de época medieval tal como o são as ruas que a ladeiam na sua parte superior (Rua das Ricas, Travessa do Arco e Rua de S. Vicente). Entre os séculos XVI e XVIII era chamada de Terreiro do Corro e Corro dos Touros, uma vez que era neste local que se corriam os touros, aquando das festas mais importantes da Vila como o Corpo de Deus. Nestas alturas o terreiro era rodeado de bastidas ou paredes de madeira que limitavam o recinto das corridas.

A Praça Dr. Miguel Bombarda na actualidade.

Em 1858, transferem-se para aqui os mercados de fruta e hortaliça, que até aí se deveriam localizar na Praça Velha, ou Praça do Peixe, a atual Praça Cândido dos Reis. Nesta altura a câmara mandou terraplanar a praça e arborizar a sua parte superior. Na imagem que mostramos de inícios de século XX, no topo do artigo, são visíveis diversas árvores de uma espécie não identificada. Sabemos que a plantação das palmeiras se dá nas primeiras décadas do século XX. Essas palmeiras marcaram definitivamente a memória do lugar ao ponto de ter alterado a toponímia popular e a praça passa a ser conhecida como Largo das Palmeiras. Durante o século XX, e até à inauguração do Mercado Municipal em 1945, aqui se realizavam os mercados de fruta e hortaliça. Era também nesta praça que se realizavam as chamadas Praças de Jorna, onde se juntavam os trabalhadores rurais sem emprego fixo para procurarem trabalho junto dos latifundiários.

Constitui ainda hoje o maior largo do Centro Histórico divido em duas partes. A parte superior está definida por um espaço retangular ao centro com calçada portuguesa e onde se encontram as oito palmeiras. A parte inferior do largo também possui calçada simples e se olharmos com atenção ainda podemos observar algumas pedras brancas que se destacam das restantes mais escuras, que constituem a última memória deste local enquanto mercado, uma vez que serviam para marcar o espaço ocupado por cada vendedor.

 

Carlos Carpetudo