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Paço dos Alcaides 3D – Montemor-o-Novo 1534


O Paço dos Alcaides de Montemor-o-Novo, hoje uma ruína, cuja feição castrense se adivinha pelos restos de muralha e pelas torres que sobreviveram à passagem do tempo foi, durante séculos, o principal edifício intramuros da vila, não só pela posição dominante enquanto estrutura defensiva, mas também pela sua dimensão palatina. Em 1495, o Paço seria suficientemente grandioso para acolher D. Manuel, aquando das Cortes de Montemor-o-Novo. Cenário de frequentes estadas régias, o Paço dos Alcaides foi palco de decisões históricas e foi aqui que se decidiu empreender a descoberta do caminho marítimo para a Índia, depois encabeçada por Vasco da Gama. 

 

Veja em baixo o levantamento 3D do estado actual do Paço dos Alcaides através da plataforma Sketchfab (levantamento fotogramétrico executado pela empresa GEODRONE).

 

Paço dos Alcaides – Castelo de Montemor-o-Novo by Morbase on Sketchfab

 

A perda da monumentalidade de muitos dos edifícios do Castelo de Montemor-o-Novo e a consequente passagem para o estado de ruína levou a que o conhecimento acerca da importância daquelas estruturas arqueológicas fosse perdida, em parte, pela comunidade que vive ao seu redor. O levantamento tridimensional surgiu assim como uma solução viável para o registo rigoroso das estruturas ainda existentes e a reconstrução virtual como solução capaz de voltar a dotar a comunidade montemorense do significado histórico-cultural ligado à zona intramuros da antiga vila medieval através da visualização científica digital. A reconstrução virtual do Paço dos Alcaides é uma proposta dos seus autores, baseada naquilo que crêem ser, do ponto de vista científico, o mais próximo do que seria o Paço em 1534. O interior do Paço, face à inexistência quase total de informação arqueológica ou documental, foi recriado com base nas descrições de vários autores do que seria a estrutura interna de um Paço em Portugal, no século XVI.

 

Como base iconográfica para a reconstrução existe a pintura mural da ermida de São Pedro da Ribeira, executada nas décadas de 20/30 do século XVI, que mostram uma vista sobre a vila muralhada e um bloco fortificado que se pode identificar com o castelo e parte da empena da Igreja de São João Baptista. Embora com erros de perspectiva e de proporção, permite aferir a orientação dos edifícios do Paço e a localização da porta principal.

 

sãopedroslide

 

A partir das ruínas do Paço foi necessário calcular todas as possibilidades e impossibilidades da construção do modelo e só depois aplicar as informações obtidas a partir de construções “semelhantes”. Embora seja difícil encontrar modelos coincidentes, porque cada castelo ou paço fortificado se molda às especificidades de cada sítio, o “Livro das Fortalezas” de Duarte d’Armas serviu de ponto de partida e teste de hipóteses, não só pela contemporaneidade, mas também como aferidor de elementos constantes e, mais importante, pela representação métrica de cada castelo. Serviram também de exemplos algumas torres senhoriais e paços fortificados na região que demonstram as tendências construtivas e arquitectónicas da primeira metade do séc. XVI, nomeadamente a Torre das Águias (Brotas), o Castelo de Valongo (Évora), o Paço dos Alcaides de Arraiolos e a torre e solar do Carvalhal (Montemor-o-Novo). Utilizou-se ainda os exemplos do Solar da Sempre-Noiva (Arraiolos) e do Paço de D. Pedro em Tentúgal (Montemor-o-Velho) para definir a sucessão de volumes e a compartimentação dos edifícios (embora não se tratem de construções fortificadas).

 

O espaço confinado às muralhas, ou vestígios delas, serviu de linha-mestra a toda a planificação arquitectónica a 2 dimensões. A altura do pavimento das duas torres que ainda mantêm vestígios quinhentistas, por sua vez, definiram a altura máxima do edifício principal e o número de pisos possível, que se calculou em 3. Juntando estes dados, foram criadas plantas e alçados que serviram de base para a modelação 3D. Neste processo foi necessário criar uma estratigrafia vertical artificial, mas que mantivesse o máximo de verosimilhança possível com o Castelo tal como seria em 1534 que, como seria lógico e à semelhança de outros castelos deste período seria constituído por uma sucessão de volumes de várias épocas, preferencialmente acrescentados e adaptados, em vez de destruídos. Nesta lógica, as disposição dos elementos medievais dispersar-se-ia junto das portas, nomeadamente da principal, por uma questão defensiva, sobretudo no primeiro piso e diluindo-se verticalmente até desaparecer no terceiro piso que se assumiu datar todo ele do séc. XVI.

 

Desenho-Geralnovoweb

 

 Embora fosse um edifício palatino e associado a uma família nobre em ascensão, optou-se por não preencher os espaços com demasiados objectos de luxo ou importados exceptuando aqueles que seriam mais habituais em contextos semelhantes ou estejam documentados nas escavações arqueológicas em Montemor-o-Novo. Por outro lado há um compromisso com os objectos de produção local que, para todos os efeitos seriam os mais abundantes. A distribuição destes objectos pelos vários compartimentos fez-se de acordo com o que é indicado nas fontes, primeiro numa perspectiva funcional, depois numa de prestígio.

 

InfografiaFINALweb

 

 

 

A Reconstrução Virtual do Paço dos Alcaides de acordo com a Escala de Evidência Histórica/Arqueológica:

 

Escala de Paço

 

lbarreiras

There is 1 comment on this post
  1. Junho 08, 2016, 10:18 pm

    […] O Paço dos Alcaides de Montemor-o-Novo, hoje uma ruína, cuja feição castrense se adivinha pelos restos de muralha e pelas torres que sobreviveram à passagem do  […]