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O hábito de jogar na vila medieval de Montemor-o-Novo


Uma das dezenas de peças de jogo encontradas nas escavações do Castelo de Montemor-o-Novo.

Na atualidade, os videojogos fazem parte do dia-a-dia de muitos adultos e crianças e assumem, cada vez mais, uma maior percentagem da economia ligada ao entretenimento dos tempos livres com lucros que excedem os valores combinados das indústrias do cinema e da música. Esse papel que hoje os videojogos desempenham, era há apenas umas décadas atrás, ocupado pelos jogos de tabuleiro ou pelos jogos de cartas que habitualmente aconteciam nas sociedades recreativas ou nos bancos de jardim.

Na antiguidade clássica, existem registos de jogos em diversas culturas, desde os egípcios aos fenícios e, em Portugal, a introdução do jogo deve ter ocorrido aquando da romanização do território nacional. Os romanos introduziram o prazer pelo jogo, sendo o mais comum o jogo de tabuleiro do moinho.

Ilustração de quatro homens a jogar ao alquerque (Fonte: Livro dos Jogos de Afonso X).

Após o Concílio de Trento, a Igreja Católica proíbe o jogo como uma prática pecaminosa. Não obstante, o povo continuou a utilizar os jogos como um divertimento e uma forma de sociabilizar, tal como o provam os diversos achados arqueológicos de peças e tabuleiros de jogo que um pouco por toda a parte têm vindo a ser descobertos.

Em Montemor-o-Novo, as escavações arqueológicas no castelo colocaram a descoberto dezenas de peças de jogo utilizadas em jogos como o do moinho ou do alquerque. Surgem também inúmeros dados e alguns berlindes assim como miniaturas de formas cerâmicas que, essas sim, seriam utilizadas exclusivamente por crianças. A presença de tantos materiais ligados a esta atividade lúdica indicia que a sociedade montemorense tinha hábitos de jogo bastante fortes no seu dia-a-dia, sobretudo se tivermos em conta que as escavações arqueológicas no Castelo incidem numa zona habitacional.

As escavações não revelaram ainda qualquer tabuleiro de jogo, talvez porque na maioria das vezes o tabuleiro ou a base do jogo fosse a própria terra em que se desenhava os quadrados e pontos de interseção que o compõem. Foi identificado, na base da porta lateral da antiga Igreja paroquial de S. Tiago (atual Centro Interpretativo do Castelo), uma base de um jogo do alquerque.

A porta lateral da Igreja de São Tiago, com arco gótico, e o jogo do alquerque assinalado a vermelho, com o levantamento 3D (com e sem textura) para realce das covinhas do tabuleiro de alquerque através de simulação de luz rasante.

 

Centro Interpretativo do Castelo de Montemor-o-Novo

Horário:

Outubro a Março: 9.00h – 12.30h e 14.00h – 17.30h

Abril a Setembro: 10.00h – 13.00h e 14.30h – 18.30h

Encerra à 2ª feira

Contactos:
Posto Municipal de Turismo – Tel. 266 898 103

e-mail: turismo@cm-montemornovo.pt

Carlos Carpetudo