';
side-area-logo
UMA ERMIDA QUE JÁ FOI ANTA


A Anta capela de São Brissos ou de Nossa Senhora do Livramento, situada na Freguesia de Santiago do Escoural, perto da aldeia de São Brissos, constitui um curioso exemplo da adaptação de um monumento funerário megalítico a templo cristão, atestando a forma como o cristianismo se teve de adaptar às antigas tradições pagãs que ainda perduravam no território.

Da anta original restam cinco esteios e a laje de cobertura, bem como vestígios superficiais da mamoa. A dimensão dos esteios, com cerca de 3 metros de altura indiciam um monumento de grandes dimensões, colocando-a ao nível das grandes antas da região como a Anta Grande do Zambujeiro, no concelho de Évora, ou a Anta Grande da Comenda da Igreja em São Geraldo, no concelho de Montemor-o-Novo.

A cristianização do monumento ocorre durante o século XVII, tendo-se retirado um esteio a norte para colocação da porta de acesso. A sul foi-lhe acrescentada uma pequena capela de formato quadrangular e cúpula. No interior da ermida encontra-se a imagem de Nossa Senhora do Livramento e diversos ex-votos. Atualmente o monumento encontra-se totalmente caiado ao estilo alentejano, com a parte inferior em azul e o restante com a tradicional cal branca.

À anta capela estão associadas diversas tradições. Na segunda-feira de Páscoa é tradição, junto das populações de São Brissos, Casa Branca e de Santiago do Escoural, vir para a anta-capela comer o assado de borrego, depois da missa rezada no exterior.

Também na quinta-feira de Ascensão, depois da apanha da espiga, aqui se juntam grupos de pessoas para merendar. Até há bem poucos anos era comum em anos de seca realizarem-se procissões à anta capela para pedir chuva. Segundo a lenda, São Brissos e a Senhora do Livramento tiveram um filho, mas São Brissos traiu-a com a Senhora das Neves. Quando as populações precisavam de chuva, retiravam a imagem da senhora do Livramento da capela, deixando lá o seu filho e colocavam-na na Igreja de São Brissos, de costas para o santo. Eram as lágrimas que a Senhora chorava por se encontrar perto do santo e longe de seu filho que fazia com que chovesse.

Carlos Carpetudo