';
side-area-logo
DUAS ANTAS NO VALE DA RIBEIRA DE LAVRE


A zona de São Geraldo e Ciborro é, em todo o concelho de Montemor-o-Novo, aquela onde se verifica uma maior concentração de monumentos megalíticos. De entre eles merecem destaque as duas antas do Paço situadas no cimo de duas pequenas elevações próximas da Ribeira de Lavre.

Estes grandes monumentos funerários, construídos entre o sexto e o terceiro milénios antes de Cristo, desde muito cedo despertaram a curiosidade dos habitantes locais que as associavam a “casa dos mouros” ou a locais que guardavam enormes riquezas.

Ao fundo, nesta fotografia, a Anta II do Paço. Na fotografia de destaque do artigo, a Anta I do Paço.

A sua imponência chamou também a atenção dos estudiosos de inícios do século XX, o que contribuiu para que as mesmas tivessem sido classificadas como Monumento Nacional logo em 1936, certamente por influência do arqueólogo Manuel Heleno, diretor do Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa, que em 1931 havia procedido a escavações nestes dois monumentos.

Estas escavações, as únicas até ao presente que aqui tiveram lugar, revelaram um espólio funerário de grande qualidade constituído por placas de xisto gravadas, báculos, contas de colar, cerâmica e outros objetos votivos associados aos enterramentos. Este espólio encontra-se ainda hoje depositado nas reservas do Museu Nacional de Arqueologia.

As duas antas mantêm conservados vestígios da mamoa (a cobertura original dos monumentos megalíticos, normalmente composta por terra e/ou terra e pedras, que resultava numa elevação assinalada na paisagem). A anta I possui seis esteios in situ, tampa ou laje de cobertura e respetivo corredor. A anta II mantém também vestígios de corredor, tampa e sete esteios in situ.

A visita a estes monumentos só pode ser efetuada após contacto com os proprietários da herdade, no Monte da Abrunheira, antes de chegar à aldeia de Ciborro.

 

Descubra mais sobre as Antas do Paço na seguinte ligação:

Documentário: “Gente que nunca mais existiu – O Megalitismo em Montemor-o-Novo”

Carlos Carpetudo