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A Praça Nova do Castelo


O local onde os visitantes do Castelo de Montemor-o-Novo atualmente estacionam os carros foi, durante séculos, local de venda de “pão, pescado e fruitas e todos outros mantimentos e cousas que se acostumam de vender nas praças dos lugares”.

A cisterna encontrada durante o acompanhamento arqueológico da obra de iluminação do Castelo de Montemor-o-Novo.

A praça central do interior da vila intramuros (situada junto à ruína popularmente apelidada de mapa de África ou cogumelo) onde durante a Idade Média se faziam os mercados, tinha-se tornado demasiado pequena para as necessidades de uma população em crescimento. Em meados do século XV, a Câmara manda então construir uma nova praça, no exterior da muralha grande o suficiente para aí se realizarem os mercados de carne, peixe e outros bens, e para acomodar serviços públicos como o Paço dos tabeliães das notas ou a távola das sisas.

Com a construção desta praça que passa a ser conhecida como Praça Nova, a praça principal da vila intramuros passa a ser designada como Praça Velha.

Sabemos, pela documentação, que no século XVII era rodeada de arcos, facto que se veio a comprovar aquando do acompanhamento arqueológico realizado durante a construção do parque de estacionamento em que foram identificados pavimentos em tijoleira e pilares de assentamento de arcarias.

No acompanhamento de obra para a iluminação das muralhas foi identificada uma estrutura composta pela boca de uma cisterna associada a um murete que serviria para colocar as bilhas de água. Ao lado existia um nível de pavimento em tijoleira. Esta cisterna integraria certamente as infraestruturas da Praça Nova, uma vez que num local de mercados e de açougues, a existência de água seria imprescindível.

Arraste a barra para ver uma fotografia actual em comparação com uma fotografia de 1928 (Fonte: Arquivo Biblioteca de Arte da Gulbenkian).

O local da Praça Nova em 1943 (Arquivo DGEMN).

Com o abandono da vila intramuros deixam também de se fazer mercados na Praça Nova, passando os mesmos, bem como os serviços a eles associados para a Praça do Arrabalde (atual Praça Cândido dos Reis). Em meados do século XVIII já aqui não deveriam funcionar quaisquer serviços.

Numa imagem de 1928 (à esquerda) ainda podemos observar um muro no local que pertenceria aos muros exteriores da Praça Nova. Em 1943, uma fotografia (a imagem em cima), tirada da muralha em frente ao adro do Convento da Saudação, ainda mostra o muro que deve ter sido derrubado poucos anos depois, uma vez que as imagens do local para anos posteriores já não mostram quaisquer evidências.

Carlos Carpetudo