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A Casa Torre do (outro) D. Vasco


Ao contrário do que geralmente se pensa, a casa torre situada no início da Rua de D. Vasco pertenceu ao fidalgo D. Vasco de Mascarenhas e não ao famoso navegador Vasco da Gama.

Pormenor da januela manuelina com a flor-de-lis.

Vasco de Mascarenhas, que viveu no século XVI, era irmão de D. Fernão Martins de Mascarenhas, alcaide–mor da vila de Montemor e pai de D. João de Mascarenhas que viria também a ser alcaide de Montemor, por o seu tio D. Fernão Martins não ter descendência.

Vista geral da Casa-Torre de D. Vasco.

O conceito de casa torre começa a aparecer um pouco por todo o país durante a Idade Média (séculos XII/XIII), associadas às grandes famílias com propriedades agrícolas. A construção de uma torre numa propriedade para além de segurança, conferia prestígio ao seu proprietário.  As torres, normalmente de forma quadrangular, eram compostas por vários pisos, cada um correspondendo a uma única divisão. O acesso era em muitos casos amovível, podendo ser recolhido em caso de ameaça. As torres apresentavam um reduzido numero de aberturas, constituído normalmente por pequenas frestas defensivas e por vezes na fachada principal ostentavam uma janela de maiores dimensões e características nobres.

Montemor-o-Novo possui ainda, nos arredores da cidade, dois exemplos de casas torre senhoriais de cariz rural: a Quinta da Amoreira da Torre e a Quinta de D. Francisco, para além da Quinta da Torre do Carvalhal, próxima do Escoural.

Para além das torres rurais, também a então vila de Montemor possuía torres que se destacavam como era por exemplo o caso da torre, certamente medieval, que existia na atual Rua da Torre da Machada e que acabou por dar o nome à própria rua.

Experimente o visualizador interativo 3D da januela manuelina da casa torre de D. Vasco.

A casa torre da Rua de D. Vasco tem certamente uma fase de construção do século XVI tal como o comprova o principal elemento caracterizador e diferenciador desta casa, a janela manuelina ao nível do segundo piso. A janela em granito encontra-se decorada internamente com pequenas esferas. A parte superior do lintel possui decoração com flor-de-lis ladeada por volutas.  Trata-se de uma típica casa torre de cariz senhorial, quadrangular, com três pisos e apenas uma divisão por piso. Ao longo dos anos sofreu obras de remodelação, aquando das quais deve ter sido aberta a porta que dá para a Rua 1 de Maio e acrescentadas as janelas do primeiro e terceiro piso que não estão claramente orientadas com a janela principal manuelina.

Carlos Carpetudo